Sep 5 2010

Somos o Brasil!

Luiz Car­los Ramos
(A pro­pó­sito da semana da pátria)

H:      Somos todos brasileiros!

M:     Somos todas brasileiras!

D1:     Durante milha­res e milha­res de anos, vive­mos aqui como gente ame­rín­dia, inde­pen­den­tes, até que che­ga­ram os euro­peus. Éramos mui­tos: cinco, seis, tal­vez sete milhões: Che­fes e sábios, mães e pais que ama­vam suas cri­an­ças e hon­ra­vam seus anciãos. E nos mata­ram a quase todos com a espada, a peste e o desprezo.

H:      Somos todos brasileiros!

M:     Somos todas brasileiras!

D2:     Tam­bém vivía­mos, inde­pen­den­tes, na África: Che­fes e sábios, mães e pais que ama­vam suas cri­an­ças e hon­ra­vam seus ante­pas­sa­dos. Mas os que tra­fi­ca­vam seres huma­nos nos redu­zi­ram a escra­vos. Éramos mui­tos: cinco, seis, tal­vez sete milhões. E nos mata­ram a quase todos com o chi­cote, o banzo e o desprezo.

H:      Somos todos brasileiros!

M:     Somos todas brasileiras!

D1:     E vio­len­ta­ram nos­sas mulhe­res ame­rín­dias e tive­mos filhos mamelucos.

D2:     E vio­len­ta­ram nos­sas mulhe­res afro-americanas e tive­mos filhos mulatos.

D3:     Mame­lu­cos e mula­tos se ama­ram e nas­ce­mos nós.

D1,2,3: Ame­rín­dios, euro­peus e afro-americanos; mame­lu­cos, mula­tos e cafu­zos, vivem e sobre­vi­vem, inter­de­pen­den­tes, nas cores da nossa pele, no ritmo da nossa música, na ale­gria das nos­sas fes­tas; vivem e sobre­bi­vem, inter­de­pen­den­tes, na força dos nos­sos bra­ços, no bri­lho das nos­sas men­tes e no abra­sa­mento do nosso coração.

H:      Somos todos brasileiros!

M:     Somos todas brasileiras!

T:      Somos o Brasil!


Aug 11 2010

Creio na vida como uma escola

Luiz Car­los Ramos

 

Cre­mos na vida como uma escola
que nos ensina a conhe­cer as razões e a res­pei­tar os mistérios;

Cre­mos na vida como uma escola
que nos ensina a coo­pe­rar para cons­truir e a con­fron­tar para resistir;

Cre­mos na vida como uma escola
que nos ensina a pen­sar com o cora­ção e a amar com inteligência;

Cre­mos na vida como uma escola
que nos ensina a huma­ni­dade divina e a divina humanidade:

Cre­mos na vida como uma escola
que nos ensina que a feli­ci­dade é um verbo que se con­juga no plu­ral
e que a misé­ria é o antô­nimo de Deus;

Cre­mos na vida como uma escola
que nos ensina a ser e a conhe­cer,
a fazer e a con­vi­ver,
e a saber, enfim, trans­mi­tir a pró­pria vida,
na força da espe­rança, com a ter­nura da paz
e no com­pro­misso da jus­tiça para todos.

Amém.


Aug 4 2010

Oração pelos pais

Luiz Car­los Ramos

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Senhor,
rendemos-te gra­ças pela vida dos nos­sos pais,
por­que nos pos­si­bi­li­ta­ram nas­cer para a vida na terra;
rendemos-te gra­ças tam­bém pela vida dos nos­sos pais na fé,
por­que nos pos­si­bi­li­ta­ram nas­cer para a vida eterna.

Neste Dia dos Pais,
aben­çoa aos que estão pró­xi­mos,
dá for­ças aos que estão dis­tan­tes,
e con­forta aquele cujo pai está ausente.

Aben­çoa igual­mente a nós, filhos e filhas, para
que nos­sos ges­tos hon­rem a sua memó­ria,
que nos­sos pas­sos sigam-lhe o exem­plo,
que nos­sas pala­vras trans­mi­tam a sua sabedoria.

E se por­ven­tura esse amor paterno nos fal­tar,
dá-nos a cons­ci­ên­cia de que temos um Pai celes­tial,
que nos ama, que nos ajuda, que nos compreende.

E tu, que és Pai oni­po­tente, oni­pre­sente e onis­ci­ente,
com­pen­ses as limi­ta­ções dos pais ter­re­nos
e com­plete o seu amor.

Ben­dito sejas,
Pai bon­doso,
Pai dos pobres,
Pai de todos,
Pai nosso que estás nos céus…

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Ora­ção pelos pais by Luiz Car­los Ramos is licen­sed under a Cre­a­tive Com­mons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Cri­a­ção de Obras Deri­va­das 2.5 Bra­sil License


May 3 2010

Oração pelas mães

 Wal­ter Raus­chen­busch adap. por Luiz C. Ramos

(Cli­que aqui para ouvir esta ora­ção -> 2:32 -> X)

Ó Deus, nós te lou­va­mos e pedi­mos tua bên­ção sobre as mães. Nós te agra­de­ce­mos por aque­las que nos deram à luz com sofri­mento e nos amam, ainda mais, pela dor que lhe cau­sa­mos. Que nos ali­men­ta­ram com seu seio e nos nina­ram até dor­mir­mos no calor e na segu­rança de seus bra­ços. Nós te agra­de­ce­mos pelo seu amor incan­sá­vel, e por suas ora­ções sem pala­vras; damos-te gra­ças por­que elas nos segui­ram, embora sofres­sem, atra­vés dos nos­sos erros e nos trou­xe­ram de volta. Nós pedi­mos que nos per­does se, com um egoísmo incon­si­de­rado, nós des­fru­ta­mos de seu amor como direito nosso, sem lhes dar a ter­nura pela qual elas ansi­a­vam como única recom­pensa. E se temos o tesouro que é uma mãe ainda com vida, que pos­sa­mos fazer por sua fra­queza aquilo que ela fez pela nossa.

Lembramo-nos de todas as mulhe­res que estão agora supor­tando a dor e o can­saço da mater­ni­dade. Dá-lhes for­ças físi­cas e espi­ri­tu­ais para essa nova tarefa. Amplia seus hori­zon­tes para que elas se vejam não ape­nas como mães de uma cri­ança, mas como mulhe­res que podem cons­truir um futuro melhor para o nosso país, com vidas novas e puras. Que as nos­sas jovens se cons­ci­en­ti­zem de que pode­rão ser mães no futuro, e pos­sam pre­ser­var a pureza e ener­gia de seus cor­pos e men­tes para a tarefa sagrada para a qual o futuro tal­vez as chame.

 Aben­çoa com graça espe­cial, nós te pedi­mos, aque­las mulhe­res que dese­jam ser mães, mas que não terão essa ale­gria. Ajuda-as a ven­cer a amar­gura do desa­pon­ta­mento, e a achar uma expres­são para o seu amor mater­nal sufo­cado, dando-o a todos os cora­ções soli­tá­rios e órfãos desta tua grande famí­lia aqui na terra. Que teu amor pro­te­tor de mãe, possa agora tirar a huma­ni­dade do reino da força bruta e levá-la a fun­dar a grande famí­lia humana, no poder do amor.


IMAGEM  “Baby’s hol­ding fin­ger”: © Heide Benser/Corbis;
Value Royalty-Free (RF) 42 – 19687719 ,
COLEÇÃO Fancy

Apr 6 2010

Oração pelas pastores e pastores

[Luiz Car­los Ramos

Ó Senhor, Deus eterno,
tu és o nosso supremo pas­tor,
por isso esta­mos cer­tos de que
nada nos faltará.

Nesta hora, supli­ca­mos a tua bên­ção
sobre os nos­sos pas­to­res e as nos­sas pas­to­ras,
para que, por amor do teu nome,
pos­sam nos con­du­zir a pas­tos ver­de­jan­tes,
e às águas de des­canso,
e tra­gam refri­gé­rio para a nossa alma.

Senhor Jesus,
tu és o bom pas­tor que dá a vida pelas ove­lhas,
por isso supli­ca­mos a tua graça
sobre os pas­to­res e as pas­to­ras da tua igreja,
para que, como tu, conhe­çam as suas ove­lhas,
e que as ove­lhas, ao reco­nhe­ce­rem a voz que os apas­centa,
se dei­xem con­du­zir por seu exem­plo
de pie­dade, de dig­ni­dade, e de integridade.

Santo Espí­rito Con­so­la­dor,
tu és o nosso con­se­lheiro,
por isso te pedi­mos que a tua paz esteja
sobre estes pas­to­res e sobre estas pas­to­ras,
e que se estenda por todo o povo de Deus
espa­lhado sobre a face da terra,
para que pos­sa­mos habi­tar na tua casa,
em har­mo­nia e comu­nhão,
rendendo-te honra e lou­vor,
por lon­gos dias e para todo o sem­pre.
Amém. Amém. Amém!


Mar 8 2010

O fio da história

Dia Inter­na­ci­o­nal da Mulher

Luiz Car­los Ramos
Ede­mir Antu­nes Filho

   

Lá esta­vam elas, ao som dos tea­res, tecendo com fio lilás
os teci­dos que deve­riam ves­tir e aque­cer outros cor­pos — rou­pas que elas mes­mas jamais vestiriam.

Já pró­xi­mas ao limite de suas for­ças, exaus­tas pelas 16 horas de lida diá­ria, as ope­rá­rias ainda encon­tra­vam ânimo para socor­rer com­pa­nhei­ras que se esvaiam tuber­cu­lo­sas; para sau­dar cri­an­ças recém-nascidas que sal­ta­vam pra den­tro da vida ali mesmo, sob os tea­res; e para cho­rar as enve­lhe­ci­das jovens que aos 30 anos ago­ni­za­vam em seus pos­tos e se des­pe­diam de sua breve vida.

Entre­tanto, emba­la­das pelo ritmo das máqui­nas, e, com o colo molhado pelas lágri­mas, ges­ta­vam sonhos de espe­rança: salá­rios dig­nos, melho­res con­di­ções de saúde, jor­nada de tra­ba­lho que lhes per­mi­tisse abra­çar mais lon­ga­mente suas cri­an­ças, bei­jar mais ter­na­mente seus mari­dos e sabo­rear um pouco mais a comu­nhão à mesa na sim­pli­ci­dade dos seus lares.

Con­ta­gi­a­das por esse sonho, foram compartilhá-lo com o patrão. Mas o patrão, indig­nado com tama­nho absurdo, jul­gou ser este um caso de polí­cia e resol­veu trans­for­mar aquele sonho divino em um pesa­delo infernal.

No dia 8 de março de 1857, as por­tas da fábrica Cot­ton de Nova York foram tran­ca­das e o edi­fí­cio trans­for­mado em um grande cre­ma­tó­rio onde 129 mulhe­res foram sacrificadas.

Mas… a fumaça daquele holo­causto espalhou-se por todo lugar levando con­sigo o sonho daque­las mulhe­res, con­ta­gi­ando e sen­si­bi­li­zando pes­soas em todo o mundo que se encar­re­ga­ram de tor­nar rea­li­dade aquele ideal.

Már­ti­res cre­ma­das, fios lila­ses, ges­tan­tes de um mundo melhor, ins­pi­ra­ram Clara Zet­kin, a pro­por, durante o Con­gresso Inter­na­ci­o­nal de Mulhe­res, rea­li­zado na Noru­ega em 1910,  a ins­ti­tui­ção do Dia Inter­na­ci­o­nal da Mulher.

Desde então, a cada 8 de março, mulhe­res e homens rea­fir­mam sua tarefa como tece­lãs e tece­lões de uma nova História.

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O fio da his­tó­ria: Dia Inter­na­ci­o­nal da Mulher de Luiz Car­los Ramos é licen­ci­ado sob uma Licença Cre­a­tive Com­mons Atribuição-Uso não-comercial-No Deri­va­tive Works 3.0 Bra­sil.


Feb 3 2010

Confissões de mal-me-quer

Luiz Car­los Ramos

 

O luxo mal-me-quer,
O lixo bem-me-quer.

A casa grande mal-me-quer,
A sen­zala bem-me-quer.

A escola mal-me-quer,
A escó­ria bem-me-quer.

A cate­dral mal-me-quer,
A praça da matriz, bem-me-quer.

Alpha­ville mal-me-quer,
A favela bem-me-quer.

A cris­tan­dade mal-me-quer,
O Cristo bem-me-quer.


Jan 9 2010

Oração Batismal

Luiz Car­los Ramos
(2004)

Senhor,

Na Cri­a­ção,
tuas águas trou­xe­ram vida;

No Dilú­vio,
tuas águas foram purificadoras;

Na opres­são do Egito,
tuas águas foram libertadoras;

Quando Jesus foi bati­zado,
tuas águas abri­ram o céu
e teu Espí­rito voou e revoou sobre nós;

Quando Cristo foi cru­ci­fi­cado,
tuas águas anun­ci­a­ram
que tudo estava consumado;

Após sua res­sur­rei­ção,
tuas águas foram asper­gi­das por todo o mundo
pelo tra­ba­lho mis­si­o­ná­rio dos teus após­to­los,
que anun­ci­a­ram e ensi­na­ram o teu evan­ge­lho
e nos bati­za­ram em nome do Pai, e do Filhoe do Espí­rito Santo.

Pedimos-te que, tam­bém agora,
tua bên­ção esteja sobre estas águas,
para que sejam para nós e para a/o [Nome],
o sinal visí­vel de uma graça invisível.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Amém!


Oct 4 2009

Salmo 131

(Com minhas palavas)

Voz: Luiz Car­los Ramos — Piano: Liséte Espín­dola

Fev 203 063
Como eu gos­ta­ria, Senhor,
de ser como aquela cri­ança ama­men­tada
que se ani­nha no colo da mãe;
sem ter neces­si­dade de mais nada
a não ser do calor terno do teu abraço;
sen­tir teu afago cari­nhoso me con­for­tando;
e, ao embalo da tua voz paci­ente,
ador­me­cer sereno
e des­can­sar per­ti­nho do teu cora­ção;
e, ao ritmo da tua res­pi­ra­ção suave,
sonhar com coi­sas boas
que façam meus lábios sor­ri­rem,
e, mesmo de olhos fecha­dos,
façam-me con­tem­plar as estre­las do teu céu
e os fru­tos do meu chão.

Luiz Car­los Ramos

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Salmo 131 (com as minhas pala­vras) by Luiz Car­los Ramos is licen­sed under a Cre­a­tive Com­mons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Cri­a­ção de Obras Deri­va­das 2.5 Bra­sil License.


Oct 2 2009

Confissão

Luiz Car­los Ramos 

Con­fis­são de Pedro

Vivo há tanto tempo ao teu lado
            e nunca te olhei nos olhos.

(Silên­cio)

Vivo há tanto tempo ao teu lado
            e nunca ouvi tua voz.

(Silên­cio)

Vivo há tanto tempo ao teu lado
            e nunca te estendi a mão.

(Silên­cio)

Vivo há tanto tempo ao teu lado
            e nunca te cum­pri­men­tei com um sorriso.

(Silên­cio)

Vivo há tanto tempo ao teu lado
            e nunca te dei um abraço.

(Silên­cio)

Vivo há tanto tempo ao teu lado…
            mas hoje quero olhar-te nos olhos,
            ouvir tua voz, estender-te a mão,
            tro­car um sor­riso, dar-te um abraço.

A par­tir de hoje ofereço-te
            um ouvido atento
            e um cora­ção aberto.