Jul 14 2010

Luas e luas

(His­tó­ria ori­gi­nal de James Thur­ber,
Adap­tada por Luiz Car­los Ramos
a par­tir da ver­são de Rômulo Cân­dido de Souza)

Era uma vez uma prin­ce­si­nha que ficou muito doente. O rei fez de tudo pra que ela ficasse boa nova­mente. Mas os médi­cos do reino não con­se­guiam curá-la. Deses­pe­rado, o rei, junto ao leito da filha, disse-lhe: “Pede-me o que qui­se­res para que fiques boa.” Então a prin­ce­si­nha res­pon­deu: “Eu quero a Lua!”

O rei ficou apa­vo­rado. Cha­mou todos os sábios do reino para ver como resol­ver o pro­blema. Os astrô­no­mos dis­se­ram: “Impos­sí­vel, está muito longe!” Os enge­nhei­ros dis­se­ram: “Impos­sí­vel, é muito pesada!” Os eco­no­mis­tas dis­se­ram: “Impos­sí­vel, cus­ta­ria muito dinheiro!” Os mate­má­ti­cos fize­ram seus cál­cu­los e dis­se­ram: “Impos­sí­vel, leva­ria muito tempo!” e assim por diante.

O bobo da corte, que até então só ficara ouvindo e vendo o deses­pero do rei, arris­cou: “Majes­tade, se me per­mi­ti­res, tal­vez eu possa ajudar.”

 O rei estava cético, mas na falta de alter­na­ti­vas resol­veu dar uma chance ao bobo.

O bobo foi até o quarto da prin­ce­si­nha: “Boa noite, prin­ce­si­nha! Então, você quer a Lua, não é? E como é mesmo a Lua? Do que ela é feita?”

“Ora, seu bobo, todo mundo sabe que a lua é feita de prata, e que é assim, deste tama­nho…”  (e fez um pequeno cír­culo jun­tando os indi­ca­do­res e os polegares).

Então o bobo  disse: “Ah, claro!” E abriu a janela do quarto. A lua cheia bri­lhava alta no céu. E, voltando-se pra prin­ce­si­nha: “Olha, agora ela está muito alta. Mas quando esti­ver mais baixa, ali perto daquela árvore, eu subo lá e pego a lua pra você. Agora des­canse, ela ainda vai demo­rar pra abaixar.”

A prin­ce­si­nha ficou des­can­sando e o bobo pediu ao rei auto­ri­za­ção para ir até o tesouro real. Lá esco­lheu uma meda­lha de prata, mais ou menos do tama­nho que a prin­ce­si­nha tinha dito que era o da Lua. Colo­cou numa cor­rente e espe­rou amanhecer.

No outro dia, o rei e todos do palá­cio anda­vam curi­o­sos atrás do bobo que se diri­gia ao quarto da prin­ce­si­nha. O bobo entrou no quarto com as mãos pra trás.

“Bom dia, prin­ce­si­nha, que acaba de acor­dar com um beijo do sol bem na ponta do nariz! Adi­vi­nha o que eu trouxe pra você?”

E lhe esten­deu as mãos com a meda­lha de prata! Os olhos da prin­ce­si­nha bri­lha­ram, e ela excla­mou: “A Lua!”

E o rei: “A Lua!” E todos repe­ti­ram: “A Lua! A Lua! A Lua!”

Naquela mesma noite, a prin­ce­si­nha e o bobo esta­vam olhando pela janela, e a lua tor­nou a apa­re­cer no céu. Todos fica­ram apre­en­si­vos. Então o bobo arrematou:

“Veja só como Deus é mara­vi­lhoso. Ontem rou­ba­mos a lua, e Ele já pôs outra no lugar!”

E ela: “Seu bobo, Deus sem­pre faz isso quando cor­ta­mos as unhas!”

E a prin­ce­si­nha sarou completamente!

FIM