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T e x t o s & T e x t u r a s

“A beleza vem de repente”

Jaci Maraschin (1929-2009)

Maraschin_2

Aprendemos com você, caríssimo e saudoso Maraschin, que “a beleza vem de repente. Vem no tempo do Espírito Santo. Vai chegando aos poucos para que o esplendor profundo de sua iluminação não nos ofusque. […] Essa beleza vem vindo e só nos resta deixar que ela apareça entre nós na ‘beleza da santidade’.”

Maraschin, originariamente, gaúcho de Bajé, tornou-se reconhecidamente cidadão do mundo. Respeitado como pesquisador erudito e como sacerdote de rara vocação, pastoreou rebanhos de todos os continentes, com sua teologia ético-estética, e seus poemas-canções litúrgico-encarnados.

Hoje, tornou-se, definitivamente, cidadão pleno do reino da beleza eterna!

Querido Maraschin, como você mesmo dizia, a beleza é cheia de manhas, “dá-se porque talvez não exista sem a dádiva. Mas recolhe-se na indecisão de se perder. Como a música. Vai se dando ao nosso ouvido e na medida em que mais se dá mais se esvai em recordação e esquecimento. Ela anda depressa e nós queremos alcançá-la com nosso corpo…” Assim mesmo, você foi para nós uma dádiva… como uma música, que quanto mais se dá, mais se esvai em recordação…

Quanto a nós… continuaremos a usufruir do seu talento por meio da sua obra… seus textos, seus poemas, sua música, encontrarão voz nas nossas vozes… corpo em nossos corpos…

Trataremos de pôr em prática o que você tão belamente nos ensinou, num dia morno de primavera, ao redor da mesa, enquanto partilhávamos uma “injusta refeição”: “A liturgia tem que ser menos palavras e mais corpo!”

Ao concluir esta singela homenagem, peço licença ao querido Sérgio Marcus, para reproduzir-lhe as bem-ditas palavras:

“O dia de hoje é de tristeza, porque nosso amigo Maraschin saiu de cena depressa demais. Ao mesmo tempo é de júbilo. Ele correu uma grande carreira e deve estar fazendo música lá nos páramos!!! Vamos pegando o bastão da corrida e seguir no revezamento!”

Até breve, de repente a gente se encontra… na beleza da santidade!

 Luiz Carlos Ramos

Creative Commons License
“A beleza vem de repente” Jaci Maraschin (1929-2009) by Luiz Carlos Ramos is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial 2.5 Brasil License.

27 Comentários

  1. Ely Eser já disse muito do que foi a presença, companhia e ação do maraschin no IMS, faculdade de Teologia e entre nós. Ele foi, junto com Ele Eser, os meus dois melhores amigos de todos os tempos — às quartas-feiras, sempre ele jantava em minha casa na FT — os programas que desempenhvamos na FT e IMS eram estudados

  2. Oi Luiz… 12 dias depois ainda é difícil acreditar na perda do Jaci. Devido à sua alegria, vitalidade e constante bom humor, parece que ele não iria morrer nunca, não é? Embora bem mais novo cronologicamente que ele, ele sempre me pareceu mais jovem que eu mesmo e que muitos de nossa geração. Certamente vamos rir bem menos…
    Todos nós que convivemos com ele, certamente temos algumas boas histórias para contar. Deixa eu compartilhar uma:
    Pouco tempo atrás, nós o convidamos para pregar na missa de encerramento do Concílio da Diocese Sul-Ocidental, lá em São Gabriel, no RS. Ele já não estava com a saúde muito boa, mas como sempre, acolheu o convite. Dificilmente ele se recusava a participar de alguma atividade na Igreja. Acordou cedo, tomou um avião p/ Porto Alegre e, de lá, no mesmo dia, um ônibus para São Gabriel. Após 9 horas de viagem, chegou na 6a feira à noite, participou da abertura e durante o sábado, participou de todas as atividades, mesmo não sendo delegado conciliar. A Diocese havia reservado um hotel para ele, mas quando soube que os delegados seriam hospedados na casa de familiares da Paróquia, também se dispôs à mesma regra. Lá se foi o Jaci, se hospedar na residência de um casal da Paróquia local. No domingo de manhã, ele chegou para pregar no culto de encerramento, todo paramentado e com uma rosa nas mãos, e disse ao bispo Jubal: “Eu preparei um sermão, mas não vou pregá-lo. Resolvi mudar porque hoje cedo, no café da manhã, ganhei da senhora que me hospedou essa flor… tão linda… vou pregar sobre essa flor…”. Parecia uma criança com aquele presente (“uma rosa… é uma rosa é uma rosa…”). A partir daquele singelo presente, fez um belíssimo sermão de improviso sobre a rosa, destacando o significado da Graça. Muita sensibilidade, não ? Ainda precisamos aprender muito com ele…

    Abraços a você, com saudades, do amigo…
    Calvani

  3. Oi Luiz… 12 dias depois ainda é difícil acreditar na perda do Jaci. Devido à sua alegria, vitalidade e constante bom humor, parece que ele não iria morrer nunca, não é? Embora bem mais novo cronologicamente que ele, ele sempre me pareceu mais jovem que eu mesmo e que muitos de nossa geração. Certamente vamos rir bem menos…
    Todos nós que convivemos com ele, certamente temos algumas boas histórias para contar. Deixa eu compartilhar uma:
    Pouco tempo atrás, nós o convidamos para pregar na missa de encerramento do Concílio da Diocese Sul-Ocidental, lá em São Gabriel, no RS. Ele já não estava com a saúde muito boa, mas como sempre, acolheu o convite. Dificilmente ele se recusava a participar de alguma atividade na Igreja. Acordou cedo, tomou um avião p/ Porto Alegre e, de lá, no mesmo dia, um ônibus para São Gabriel. Após 9 horas de viagem, chegou na 6a feira à noite, participou da abertura e durante o sábado, participou de todas as atividades, mesmo não sendo delegado conciliar. A Diocese havia reservado um hotel para ele, mas quando soube que os delegados seriam hospedados na casa de familiares da Paróquia, também se dispôs à mesma regra. Lá se foi o Jaci, se hospedar na residência de um casal da Paróquia local. No domingo de manhã, ele chegou para pregar no culto de encerramento, todo paramentado e com uma rosa nas mãos, e disse ao bispo Jubal: “Eu preparei um sermão, mas não vou pregá-lo. Resolvi mudar porque hoje cedo, no café da manhã, ganhei da senhora que me hospedou essa flor… tão linda… vou pregar sobre essa flor…”. Parecia uma criança com aquele presente (“uma rosa… é uma rosa é uma rosa…”). A partir daquele singelo presente, fez um belíssimo sermão de improviso sobre a rosa, destacando o significado da Graça. Muita sensibilidade, não ? Ainda precisamos aprender muito com ele…

    Abraços a você, com saudades, do amigo…
    Calvani

  4. Queridos amigos e amigas!
    Fiquei muito triste ao saber da morte do Maraschim. Foi só sexta-feira, dia 03, que fiquei sabendo. Estive de molho em casa com uma gripe super forte que me acamou. E aí, nem lia meus e-mails.

    Decidi escrever pra vocês porque de uma maneira ou outra vocês vão compreender melhor as saudosas lembranças que me assaltaram.

    A primeira lembrança é de gratidão e reconhecimento pelo que fez Maraschim ao abrir as portas do movimento ecumênico internacional para mim. Foi atravéz do compromisso dele que eu tive a oportunidade de ir para Bossey em 84. Aquela experiência marcou a minha vida para sempre. Toda a minha trajetória ecumênica tem raízes profundas na maravilhosa experiência de Bossey.

    A segunda, é do tempo que eu fazia mestrado na Centro de Pós-Graduação, e Maraschim foi, mais uma vez, meu professor. Me lembro que ele pediu que a gente lesse “O Conflito das Interpretações” de Paul Ricoeur.
    Que loucura! Que linguagem era aquela, meu Deus do céu???? Que significado tinha??? Eu não entendia coisa alguma… Parecia que eu estava lendo francês, lingua que eu ainda não falava na época!!!

    Assim, totalmente perdida, me lembro como Maraschim, de maneira simples e profunda, “traduziu” o pensamento de Ricoeur pra gente abrindo nossos ouvidos, nossas mentes e como transformou aquela coisa nebulosa e sem forma, em algo compreensível e super interessante.

    A outra memória é dos tempos que tínhamos a Comunidade da Libertação em São Paulo e Maraschim era nosso pastor-pedagogo. Vocês se lembram? Como era ótimo aquele espaço alternativo de vida litúrgica! A riqueza da liturgia, das canções, do companheirismo e da cumplicidade que nos conectava eram boas demais. Foi uma experiência de vivência de espiritualidade que nunca esqueci!

    Lamento que eu não tenha voltado a encontrar Maraschim ainda em vida. Desde que voltei ao Brasil, há quase três anos, eu sempre me dizia que queria ir a São Paulo vê-lo. Mas, não tive a chance de fazê-lo e ele se foi. Uma coisa é certa, sempre me lembrarei da pessoa dele. Do ótimo professor que ele foi e de seu jeito bem humorado e divertido!

    Só valeu, Maraschim, ter tido a felicidade de te conhecer! Você foi mara!
    Tomara que você tenha passado por Nova York antes de seguir pro outro lado da vida!

    Com carinho,
    Marilia

    Marilia Schüller
    Assessora do Programa RESC
    Missionária da Igreja Metodista Unida

  5. Queridos amigos e amigas!
    Fiquei muito triste ao saber da morte do Maraschim. Foi só sexta-feira, dia 03, que fiquei sabendo. Estive de molho em casa com uma gripe super forte que me acamou. E aí, nem lia meus e-mails.

    Decidi escrever pra vocês porque de uma maneira ou outra vocês vão compreender melhor as saudosas lembranças que me assaltaram.

    A primeira lembrança é de gratidão e reconhecimento pelo que fez Maraschim ao abrir as portas do movimento ecumênico internacional para mim. Foi atravéz do compromisso dele que eu tive a oportunidade de ir para Bossey em 84. Aquela experiência marcou a minha vida para sempre. Toda a minha trajetória ecumênica tem raízes profundas na maravilhosa experiência de Bossey.

    A segunda, é do tempo que eu fazia mestrado na Centro de Pós-Graduação, e Maraschim foi, mais uma vez, meu professor. Me lembro que ele pediu que a gente lesse “O Conflito das Interpretações” de Paul Ricoeur.
    Que loucura! Que linguagem era aquela, meu Deus do céu???? Que significado tinha??? Eu não entendia coisa alguma… Parecia que eu estava lendo francês, lingua que eu ainda não falava na época!!!

    Assim, totalmente perdida, me lembro como Maraschim, de maneira simples e profunda, “traduziu” o pensamento de Ricoeur pra gente abrindo nossos ouvidos, nossas mentes e como transformou aquela coisa nebulosa e sem forma, em algo compreensível e super interessante.

    A outra memória é dos tempos que tínhamos a Comunidade da Libertação em São Paulo e Maraschim era nosso pastor-pedagogo. Vocês se lembram? Como era ótimo aquele espaço alternativo de vida litúrgica! A riqueza da liturgia, das canções, do companheirismo e da cumplicidade que nos conectava eram boas demais. Foi uma experiência de vivência de espiritualidade que nunca esqueci!

    Lamento que eu não tenha voltado a encontrar Maraschim ainda em vida. Desde que voltei ao Brasil, há quase três anos, eu sempre me dizia que queria ir a São Paulo vê-lo. Mas, não tive a chance de fazê-lo e ele se foi. Uma coisa é certa, sempre me lembrarei da pessoa dele. Do ótimo professor que ele foi e de seu jeito bem humorado e divertido!

    Só valeu, Maraschim, ter tido a felicidade de te conhecer! Você foi mara!
    Tomara que você tenha passado por Nova York antes de seguir pro outro lado da vida!

    Com carinho,
    Marilia

    Marilia Schüller
    Assessora do Programa RESC
    Missionária da Igreja Metodista Unida

  6. Com tristeza, informamos que dia 29/06/2000, faleceu Jaci Maraschin.
    A cerimônia foi no crematório da Vila Alpina, hoje, dia 30, as 11 horas.

    Assina este email Ana Dulce e filhas (Rosa Maria e Ana Isabela)

  7. Com tristeza, informamos que dia 29/06/2000, faleceu Jaci Maraschin.
    A cerimônia foi no crematório da Vila Alpina, hoje, dia 30, as 11 horas.

    Assina este email Ana Dulce e filhas (Rosa Maria e Ana Isabela)

  8. Jaci querido. Você sabia que, pela idade e pela condição de saúde, eu estava na frente, Mas você furou a fila, me passou a perna e entrou primeiro pelos umbrais do além. Me senti só e chorei. Você era mais que um colega, mais que um amigo do peito, mais que companheiro festivo de caminhada. Você compartilhava com a Lelê um pedaço enorme do coração meu e da Zabel. Como sentimos sua ausência na festa que fizemos no Clube Armênio para comemorar nossas bodas de ouro! Só depois soubemos que você tinha sido hospitalizado naquele mesmo dia. Queria tanto prosear com você, sobre qualquer coisa, menos sobre teologia, porque ambos já estávamos fartos disso. Prosear só para prosear. Prosa gratuita, sobre tudo e sobre nada. Só pelo prazer de estar juntos, pela gostosura de existirmos, pela beleza da beleza.. Você me escreveu dizendo que tinha lido as minhas memórias, e que gostara, e que se animara a escrever as suas também. Na idade em que estávamos, eu dois passos à frente, vivíamos mais de memórias que de projetos. Olhando pelo retrovisor, acho que nós dois vivemos a vida como ela se apresentou a nós, como dom, como graça, como mistério luminoso, vida só para ser vivida ao sabor do vento que sopra onde quer. Aceitando o mal e o bem de cada dia, viessem como viessem. O curioso é que o fizemos cantando com Frank Sinatra “I did it my way”. Será que o seu Tillich, ou o meu Niebuhr, entenderiam isso? Duvido. Mas deixemo-los em paz. Éramos mais que adultos e já tinhamos aprendido que a vida não era para ser interpretada com malabarismo intelectual, muito menos teológico, mas para ser vivida, na sua espontaneidade, na sua simplicidade, no seu encanto inefável, com intensidade e paixão. E passamos a saboreá-la avidamente como uma suculenta manga madura. Não éramos tolos. Sabíamos que o fim nos espreitava, de tocaia. Não nos metia medo, mas fazía-nos pensar que um dia a cortina cairia e a festa terminaria. Só que você não respeitou a ordem estabelecida. Transgressor inveterado que você era de toda e qualquer convenção, você me deixou pra tráz e partiu antes do que eu. E deixou um enorme vazio. Não há de ser nada. Não tardo, e vou alcançá-lo. Até logo, meu bom Jaci.
    Aharon Sapsezian
    Commugny, Suíça

  9. Jaci querido. Você sabia que, pela idade e pela condição de saúde, eu estava na frente, Mas você furou a fila, me passou a perna e entrou primeiro pelos umbrais do além. Me senti só e chorei. Você era mais que um colega, mais que um amigo do peito, mais que companheiro festivo de caminhada. Você compartilhava com a Lelê um pedaço enorme do coração meu e da Zabel. Como sentimos sua ausência na festa que fizemos no Clube Armênio para comemorar nossas bodas de ouro! Só depois soubemos que você tinha sido hospitalizado naquele mesmo dia. Queria tanto prosear com você, sobre qualquer coisa, menos sobre teologia, porque ambos já estávamos fartos disso. Prosear só para prosear. Prosa gratuita, sobre tudo e sobre nada. Só pelo prazer de estar juntos, pela gostosura de existirmos, pela beleza da beleza.. Você me escreveu dizendo que tinha lido as minhas memórias, e que gostara, e que se animara a escrever as suas também. Na idade em que estávamos, eu dois passos à frente, vivíamos mais de memórias que de projetos. Olhando pelo retrovisor, acho que nós dois vivemos a vida como ela se apresentou a nós, como dom, como graça, como mistério luminoso, vida só para ser vivida ao sabor do vento que sopra onde quer. Aceitando o mal e o bem de cada dia, viessem como viessem. O curioso é que o fizemos cantando com Frank Sinatra “I did it my way”. Será que o seu Tillich, ou o meu Niebuhr, entenderiam isso? Duvido. Mas deixemo-los em paz. Éramos mais que adultos e já tinhamos aprendido que a vida não era para ser interpretada com malabarismo intelectual, muito menos teológico, mas para ser vivida, na sua espontaneidade, na sua simplicidade, no seu encanto inefável, com intensidade e paixão. E passamos a saboreá-la avidamente como uma suculenta manga madura. Não éramos tolos. Sabíamos que o fim nos espreitava, de tocaia. Não nos metia medo, mas fazía-nos pensar que um dia a cortina cairia e a festa terminaria. Só que você não respeitou a ordem estabelecida. Transgressor inveterado que você era de toda e qualquer convenção, você me deixou pra tráz e partiu antes do que eu. E deixou um enorme vazio. Não há de ser nada. Não tardo, e vou alcançá-lo. Até logo, meu bom Jaci.
    Aharon Sapsezian
    Commugny, Suíça

  10. Querido mano velho:
    Belo texto…
    gente como o Marasca não morre…se encanta…
    bjs

  11. Querido mano velho:
    Belo texto…
    gente como o Marasca não morre…se encanta…
    bjs

  12. O Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS) se associa a todos os amigos, colegas e familiares do professor Jaci Correa Maraschin e lamenta o seu falecimento. Durante reunião do Conselho Universitário da Universidade, realizada ontem (dia 30), foram explicitados o reconhecimento da importância dele para a Instituição e sua trajetória na Casa. Além disso, dirigentes e funcionários representaram o IMS no ofício fúnebre para prestar solidariedade aos familiares. Nossa oração é de que Deus nos console e nos anime a todos neste momento difícil.
    Nossa gratidão a Deus pela vida do professor Maraschin pela oportunidade de termos convivido com ele estes anos na Metodista e pela enorme contribuição acadêmica dada à Instituição. Antes da fundação do IMS, foi professor convidado na Faculdade de Teologia da Igreja Metodista onde, com colegas de trabalho daquela casa, participou no grupo que planejou a criação da Universidade. Passou quase quatro décadas de sua vida lecionando e assumindo diversas tarefas na área administrativa como, por exemplo, chefia de departamentos, direção da Faculdade de Comunicação e da de Administração. Exerceu também a função de Vice-Reitor Acadêmico e dirigiu o Instituto Ecumênico de Pós-Graduação (IEPG). Foi o primeiro editor da revista Comunicação e Sociedade, da Pós-Graduação em Comunicação, e da Estudos de Religião, da Pós-Graduação em Ciências da Religião. Até aposentar-se em 2006 atuava como professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião.
    Sua sensibilidade como poeta, escritor, compositor e musicista também é um legado muito importante que ele deixa, somado a sua militância no movimento ecumênico.

    Instituto Metodista de Ensino Superior

  13. O Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS) se associa a todos os amigos, colegas e familiares do professor Jaci Correa Maraschin e lamenta o seu falecimento. Durante reunião do Conselho Universitário da Universidade, realizada ontem (dia 30), foram explicitados o reconhecimento da importância dele para a Instituição e sua trajetória na Casa. Além disso, dirigentes e funcionários representaram o IMS no ofício fúnebre para prestar solidariedade aos familiares. Nossa oração é de que Deus nos console e nos anime a todos neste momento difícil.
    Nossa gratidão a Deus pela vida do professor Maraschin pela oportunidade de termos convivido com ele estes anos na Metodista e pela enorme contribuição acadêmica dada à Instituição. Antes da fundação do IMS, foi professor convidado na Faculdade de Teologia da Igreja Metodista onde, com colegas de trabalho daquela casa, participou no grupo que planejou a criação da Universidade. Passou quase quatro décadas de sua vida lecionando e assumindo diversas tarefas na área administrativa como, por exemplo, chefia de departamentos, direção da Faculdade de Comunicação e da de Administração. Exerceu também a função de Vice-Reitor Acadêmico e dirigiu o Instituto Ecumênico de Pós-Graduação (IEPG). Foi o primeiro editor da revista Comunicação e Sociedade, da Pós-Graduação em Comunicação, e da Estudos de Religião, da Pós-Graduação em Ciências da Religião. Até aposentar-se em 2006 atuava como professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião.
    Sua sensibilidade como poeta, escritor, compositor e musicista também é um legado muito importante que ele deixa, somado a sua militância no movimento ecumênico.

    Instituto Metodista de Ensino Superior

  14. Caro amigo Luiz,
    Ainda estou perplexo pela “ressurreição” do amigo Jaci, como eu o chamava. Há algum tempo eu não o via….até por não estar na academia….ou por não encontrar espaço/tempo para ir fazer uma visita….
    Nos tratávamos por “gordo” e ele dizia que tinha privilégios por ser mais velho que eu….
    Tive o privilégio de ser seu aluno na graduação, nas pós….participar de coral, veja, coral que ele regia e ter algumas noções vocais…que ele pacientemente me dava….
    Quantas vezes ele me mostrava uma letra ou melodia e perguntava: “que achas”?
    Ou entãi dizia, preciso de você para arrumar uns livros na minha desordem….
    Talvez, pela distância dos últimos anos, fiquei muito surpreso e desapontado….
    Chorei ao saber da partida de um amigo, como o foram o Mendonça e o Reily….
    Jací continuará a ser “meu” mestre….e e le dizia você é um discípulo meio indisciplinado, e eu dizia “só meio”…e tomáv amos um café juntos acompanhado de boas gargalhadas…
    Como dizia Rubem Alves: amor, comunhão e saudade….talvez o nosso “rosmaninho” com Jaci sejam os livros e as “melodias” que falam…que gritam…
    É a ressurreição….ele tomou conta do universo…com seu legado….
    Domingo é Santa Ceia….quem sabe numa injusta refeição ele também se faça presente conosco….
    Abraços
    Octavio

  15. Caro amigo Luiz,
    Ainda estou perplexo pela “ressurreição” do amigo Jaci, como eu o chamava. Há algum tempo eu não o via….até por não estar na academia….ou por não encontrar espaço/tempo para ir fazer uma visita….
    Nos tratávamos por “gordo” e ele dizia que tinha privilégios por ser mais velho que eu….
    Tive o privilégio de ser seu aluno na graduação, nas pós….participar de coral, veja, coral que ele regia e ter algumas noções vocais…que ele pacientemente me dava….
    Quantas vezes ele me mostrava uma letra ou melodia e perguntava: “que achas”?
    Ou entãi dizia, preciso de você para arrumar uns livros na minha desordem….
    Talvez, pela distância dos últimos anos, fiquei muito surpreso e desapontado….
    Chorei ao saber da partida de um amigo, como o foram o Mendonça e o Reily….
    Jací continuará a ser “meu” mestre….e e le dizia você é um discípulo meio indisciplinado, e eu dizia “só meio”…e tomáv amos um café juntos acompanhado de boas gargalhadas…
    Como dizia Rubem Alves: amor, comunhão e saudade….talvez o nosso “rosmaninho” com Jaci sejam os livros e as “melodias” que falam…que gritam…
    É a ressurreição….ele tomou conta do universo…com seu legado….
    Domingo é Santa Ceia….quem sabe numa injusta refeição ele também se faça presente conosco….
    Abraços
    Octavio

  16. Jaci,
    Você se foi.
    Ficou conosco a beleza e o som de sua música.
    Tanta poesia, tantas palavras lindas no momento certo. Tanto convite a refletir e a partilhar.
    Ficaram seus ensinamentos.
    Todo o movimento ecumênico seguirá desfrutando a leveza do que nos deixou.
    Agora é a sua vez de ser acolhido. Que Deus o receba e lhe dê a merecida recompensa:
    A PAZ!
    Nosso carinho para a IEAB, para sua família e para a equipe que construiu muitos caminhos junto com você nesses anos todos,

    Eliana Rolemberg
    Pela equipe da CESE
    Salvador, 30 de junho de 2009

  17. Jaci,
    Você se foi.
    Ficou conosco a beleza e o som de sua música.
    Tanta poesia, tantas palavras lindas no momento certo. Tanto convite a refletir e a partilhar.
    Ficaram seus ensinamentos.
    Todo o movimento ecumênico seguirá desfrutando a leveza do que nos deixou.
    Agora é a sua vez de ser acolhido. Que Deus o receba e lhe dê a merecida recompensa:
    A PAZ!
    Nosso carinho para a IEAB, para sua família e para a equipe que construiu muitos caminhos junto com você nesses anos todos,

    Eliana Rolemberg
    Pela equipe da CESE
    Salvador, 30 de junho de 2009

  18. Luiz querido,
    obrigado pelo texto e pela foto.
    por favor, dê um abraço com carinho por nós na família do Maraschin e nos amigos e amigas que encontrar. Pensamos nele e em vocês aqui em Genebra.
    Vamos cantar algumas canções que ele escreveu em nosso culto no domingo.
    Um abraço.
    Lusmarina

  19. Luiz querido,
    obrigado pelo texto e pela foto.
    por favor, dê um abraço com carinho por nós na família do Maraschin e nos amigos e amigas que encontrar. Pensamos nele e em vocês aqui em Genebra.
    Vamos cantar algumas canções que ele escreveu em nosso culto no domingo.
    Um abraço.
    Lusmarina

  20. Caros amigos e amigas,
    Com tristeza, mas ao mesmo tempo com gratidão a Deus pela figura anglicana/wesleyana do Maraschin.
    Testemunhos serão muitos e, concordo que podemos ler e cantar as poesias e hinos que ele também criou. É uma perda grande para todos nós neste momento de orfandade eclesial…
    Abraços,
    Jorge

  21. Caros amigos e amigas,
    Com tristeza, mas ao mesmo tempo com gratidão a Deus pela figura anglicana/wesleyana do Maraschin.
    Testemunhos serão muitos e, concordo que podemos ler e cantar as poesias e hinos que ele também criou. É uma perda grande para todos nós neste momento de orfandade eclesial…
    Abraços,
    Jorge

  22. Prezados(as)
    Quero referir-me ao Maraschin na condição que eu o descobri, ou seja, como jovem que era, no final dos anos 70, cantando suas poesias nos Congressos de Jovens, nos acampamentos regionais. Imaginando, como alguém que nasceu e cresceu numa pequena igreja do interior paulista: como seria essa pessoa?
    Vim descobrir, muitos anos depois e com muita alegria, que não se tratava de uma simples pessoa mas de alguém que conseguia, com extrema simplicidade, dizer e fazer as coisas que nos pareciam as mais difíceis e complicadas.
    Trabalhar, posteriormente, com o Maraschin foi uma excelente experiência, embora o convívio não tenha sido tão próximo como o de tantas pessoas que tiveram esse privilégio.
    Uma de suas poesias que sempre seguiremos cantando, agora com muito mais emoção: “junto aos rios de Babilônia, nos sentamos a chorar…”
    Marcio

  23. Prezados(as)
    Quero referir-me ao Maraschin na condição que eu o descobri, ou seja, como jovem que era, no final dos anos 70, cantando suas poesias nos Congressos de Jovens, nos acampamentos regionais. Imaginando, como alguém que nasceu e cresceu numa pequena igreja do interior paulista: como seria essa pessoa?
    Vim descobrir, muitos anos depois e com muita alegria, que não se tratava de uma simples pessoa mas de alguém que conseguia, com extrema simplicidade, dizer e fazer as coisas que nos pareciam as mais difíceis e complicadas.
    Trabalhar, posteriormente, com o Maraschin foi uma excelente experiência, embora o convívio não tenha sido tão próximo como o de tantas pessoas que tiveram esse privilégio.
    Uma de suas poesias que sempre seguiremos cantando, agora com muito mais emoção: “junto aos rios de Babilônia, nos sentamos a chorar…”
    Marcio

  24. Amigas e amigos (inclui o amigo comum Clrory Trindade de Oliveira)
    Mais intensa tenha sido a vida de um amigo, maior tenha sido sua contribuição, maior a perda. Felizmente podemos continuar cantando suas impactantes confissões de fé em nossas celebrações (sugiro ao Luiz Carlos que em nossa próxima celebração na Capela da Serra incluamos alguns de seus poemas), podemos continuar em comunhão com seus fecundos textos.
    Preciso destacar, como um dos seis professores de teologia de 1970 que fundaram o então Instituto Metodista de Ensino Superior, hoje UMESP, que o Jaci Maraschin foi um dos co-fundadores, formando um “trio mágico” com o Clory e eu. Durante quase 10 anos nós três respondemos, em equipe, por 5 aulas semanais de filosofia para cada uma das turmas ingressantes e para todas as turmas ingressantes. Fomos, juntos, Diretores de Faculdades, Chefes de Departamentos, Coordenadores de Cursos implementando sonhos e horizontes para tantos , inclusive para nós mesmos. Como estranho no ninho metodista, solidarizou-se a nós no enfrentamento público ao Prof. Bittencourt, cuja administração autoritária e centralizadora distoava dos que faziam docência e participavam na construção do Reino. Administramos, juntos, naqueles tempos pioneiros, concertos de clássicos que completavam a educação de nossas primeiras turmas, a introdução oficial e regular de maestro contratado no campus (eu mesmo, em um Natal, me tornei coralista sob sua regência). Lanchávamos juntos praticamente todas as semanas, planejávamos juntos os macro e micro universos de nossa instituição, viajávamos juntos, curtimos, juntos, o nascimento e o desenvolvimento de um grande projeto com o qual nos identificávamos. E trazíamos, juntos, os demais colegas dos cursos em minha segunda experiência de administração colegiada, compartida (a primeira foi a própria Faculdade de Teologia, na qual cutimos, muitas vezes, belas celebraç� �es da fé, pois o Maraschin era, ao mesmo tempo, Secretário Executivo da ASTE). Foi um tempo no qual trabalho e vida lúdica se entrelaçavam magicamente. Eramos crentes da mesma fé, professávamos o Cristo do mesmo Reino. Clory e eu fomos arrancados deste cenário quando as autoridades da Igreja optaram pelo autoritarismo do Bitencourt, mas o Maraschin nele continuou, como continuou nossa amizade a três. Entre tantas e belas facetas de sua enorme contribuição, não há que se esquecer sua participação fundante nos fundamentos desta bela e complexa instituição. Lembremo-nos do magnífico programa de pós-graduação em teologia, que revolucionou a educação teológica em nosso país, para mencionar apenas um dos frutos desta ação fundante.
    O tempo é inexorável. Há alguns anos venho refletindo e meditando em um dos artigos de fé de nosso Credo Apostólico. O da “comunhão dos santos”, a misteriosa comunhão em torno do Deus Trino que gozamos os cre ntes “visíveis” e a miríade de anônimos que vivemos nestes dois mil anos de fé. Comunhão que transcende o próprio existir, que transcende a lógica que tenta subjugar tudo ao conhecimento objetivo, que se alimenta do mistério. Maraschin continua conosco, como continuaremos para os crentes e as crentes que não se intimidam com o mistério e cultivam o coração, o afeto e o olhar da fé. Estamos em comunhão. Não qualquer comunhão. Mas a verdadeira comunhão marcada pela graça d’Aquele que responde por todo o Bem.
    Ely

  25. Amigas e amigos (inclui o amigo comum Clrory Trindade de Oliveira)
    Mais intensa tenha sido a vida de um amigo, maior tenha sido sua contribuição, maior a perda. Felizmente podemos continuar cantando suas impactantes confissões de fé em nossas celebrações (sugiro ao Luiz Carlos que em nossa próxima celebração na Capela da Serra incluamos alguns de seus poemas), podemos continuar em comunhão com seus fecundos textos.
    Preciso destacar, como um dos seis professores de teologia de 1970 que fundaram o então Instituto Metodista de Ensino Superior, hoje UMESP, que o Jaci Maraschin foi um dos co-fundadores, formando um “trio mágico” com o Clory e eu. Durante quase 10 anos nós três respondemos, em equipe, por 5 aulas semanais de filosofia para cada uma das turmas ingressantes e para todas as turmas ingressantes. Fomos, juntos, Diretores de Faculdades, Chefes de Departamentos, Coordenadores de Cursos implementando sonhos e horizontes para tantos , inclusive para nós mesmos. Como estranho no ninho metodista, solidarizou-se a nós no enfrentamento público ao Prof. Bittencourt, cuja administração autoritária e centralizadora distoava dos que faziam docência e participavam na construção do Reino. Administramos, juntos, naqueles tempos pioneiros, concertos de clássicos que completavam a educação de nossas primeiras turmas, a introdução oficial e regular de maestro contratado no campus (eu mesmo, em um Natal, me tornei coralista sob sua regência). Lanchávamos juntos praticamente todas as semanas, planejávamos juntos os macro e micro universos de nossa instituição, viajávamos juntos, curtimos, juntos, o nascimento e o desenvolvimento de um grande projeto com o qual nos identificávamos. E trazíamos, juntos, os demais colegas dos cursos em minha segunda experiência de administração colegiada, compartida (a primeira foi a própria Faculdade de Teologia, na qual cutimos, muitas vezes, belas celebraç� �es da fé, pois o Maraschin era, ao mesmo tempo, Secretário Executivo da ASTE). Foi um tempo no qual trabalho e vida lúdica se entrelaçavam magicamente. Eramos crentes da mesma fé, professávamos o Cristo do mesmo Reino. Clory e eu fomos arrancados deste cenário quando as autoridades da Igreja optaram pelo autoritarismo do Bitencourt, mas o Maraschin nele continuou, como continuou nossa amizade a três. Entre tantas e belas facetas de sua enorme contribuição, não há que se esquecer sua participação fundante nos fundamentos desta bela e complexa instituição. Lembremo-nos do magnífico programa de pós-graduação em teologia, que revolucionou a educação teológica em nosso país, para mencionar apenas um dos frutos desta ação fundante.
    O tempo é inexorável. Há alguns anos venho refletindo e meditando em um dos artigos de fé de nosso Credo Apostólico. O da “comunhão dos santos”, a misteriosa comunhão em torno do Deus Trino que gozamos os cre ntes “visíveis” e a miríade de anônimos que vivemos nestes dois mil anos de fé. Comunhão que transcende o próprio existir, que transcende a lógica que tenta subjugar tudo ao conhecimento objetivo, que se alimenta do mistério. Maraschin continua conosco, como continuaremos para os crentes e as crentes que não se intimidam com o mistério e cultivam o coração, o afeto e o olhar da fé. Estamos em comunhão. Não qualquer comunhão. Mas a verdadeira comunhão marcada pela graça d’Aquele que responde por todo o Bem.
    Ely

  26. Amigas e amigos que conspiram por um mundo mais humano:
    Em um contexto no qual crescem de modo espantoso as sementes da intolerância e do fundamentalismo, a perda de alguém como o Maraschin deixa um sentimento de orfandade em muitos.
    Recordo-me de um momento no qual a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil realizou um encontro para uma discussão aberta e respeitosa sobre o tema da sexualidade, e mais especificamente acerca da homossexualidade. Na referida ocasião, Maraschin, com um misto de ironia socrática (não desrespeitosa) e serenidade monástica, foi capaz de dicorrer com lucidez, coragem e coerêcia a seu interlocutor , até então ovacionado por membros fundamentalistas presentes na platéia, que a verdade nos libertará de todas as verdades.
    Mais do que nunca percebo quão importante que os ecos de tal testemunho ressoem nos ouvidos das muitas igrejas, seduzidas por seus massificadores projetos ancorados em postulados auto-absolutizantes.
    Fazendo uma paráfrase do texto do Luíz, espero que agente se encontre “na beleza da santidade”…
    Que Deus nos enamore…
    Seu irmão menor,
    Luciano+

  27. Amigos: aos poucos nossos companheiros vão ficando encantados. A dor é proporcional à beleza. Acho que o Maraschin se transformou em música — que ele tanto amava. E continuamos a corrida, passando o bastão… Juntos bebamos o vinho da alegria misturado às ervas amargas… Paz e esperança. Rubem

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