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T e x t o s & T e x t u r a s

A noite de todas as noites

De todas as noites, em todos os tempos e lugares, nenhuma há que se compare àquela do vilarejo de Belém da Judeia, testemunhada por humildes camponeses sem teto e suas ovelhas pacíficas.

Por quê? Afinal, camponeses dormindo ao relento sempre os há; ovelhas pacíficas nunca deixaram de existir; forasteiros desabrigados até hoje abundam; crianças pobres envoltas em trapos se veem aqui como acolá. Por que, então, aquela noite tornou-se memorável e única?

Nisto está justamente o diferencial: Deus decidira visitar-nos, não no extraordinário do tempo, mas na simplicidade do cotidiano e, por isso mesmo, tocou o âmago da vida humana. Até então, os deuses insistiam em manifestar-se em episódios extraordinários e, por isso, o povo continuava sem Deus no dia-a-dia.

Só um Deus que se encarna em nossa carne, e se revela no cotidiano de homens e mulheres, e se faz criança entre as nossas crianças, é que, assim, aconchegado nos braços da humanidade, pode ser amado sobre todas as coisas. Só um Deus plenamente humano pode ser reconhecido entre os humanos como verdadeiro Deus.

É esta a mensagem incomparável do Natal: Deus é uma criança que sente a nossa sede e a nossa fome, o mesmo calor e o mesmo frio, e que brinca com você e comigo. Somos seus amigos e amigas, e ele nos ama mais do que à própria vida. Deus é uma criança que sorri de alegria e chora de saudade; e que se sente feliz ao sentar-se conosco à mesa para repartir o pão da justiça e o cálice da alegria. Deus é uma criança que não teme a cruz, porque o seu amor é tão grande que vence o medo e sobrevive à morte.

São essas as razões que fazem daquela longínqua noite em Belém da Judeia a mais importante e especial das noites de toda a história, e de todas as estórias. Naquela noite, o poema se fez corpo, Deus se fez gente, e vimos a sua glória, como a glória de um filho único e querido do Pai. E o Deus criança habitou entre nós, cheio de graça e de bondade… que é a maior de todas as verdades (cf. Jo 1.14).

 

Luiz Carlos Ramos
(2011)

 

 

4 Comentários

  1. Lindíssimo texto , esse é o Natal verdadeiro , não precisa desespero por compras e festas , o Natal está na manjedoura , junto aos simples do campo .

    FELIZ NATAL

  2. Lindo, profunda mensagem a alcance de uma criança.
    Tenho permissão para imprimir e entegar em nosso culto de natal querido Mano LCarlos ?
    Grande abraço com muita saudade do Mano Lindbeg Deia e filhos

    • Querido amigo Lindberg,
      O que é meu é seu e de suas crianças.
      Abraço com saudades.
      Seu sempre irmão,
      luiz

  3. Lindo professor, com singeleza o verdadeiro sentido do Natal.

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