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T e x t o s & T e x t u r a s

A ovelha perdida lá fora e a moeda perdida aqui dentro

dracma-perdida

Alocução: Luiz Carlos Ramos • Trilha: Interlúdio, do LP “Fazendo Juntos”

A essa altura do ministério público de Jesus, era cada vez mais frequente virem cobradores de impostos, e outras pessoas de conduta reprovável, para ouvir-lhe a palavra. E o fato de Jesus se misturar assim com gente condenável provocava uma forte reação da parte dos que viviam na estrita observância das escrituras religiosas e da tradição, que era o caso dos fariseus, e dos catedráticos da lei, chamados escribas, que o criticavam de maneira ferina: “Esse aí trata qualquer um como se fosse gente digna, e tem a petulância de comer com eles!”

Então Jesus lhes contou a seguinte estória:

«Era uma vez, um homem que tinha um rebanho com cem ovelhas. Certo dia uma delas se desgarrou e se perdeu. O pastor deixou, então, as outras noventa e nove no deserto e saiu à procura da que se perdera. E ele não desistiu de procurar até a encontrar. Quando a achou, colocou-a sobre os ombros e voltou para cassa, carregando a ovelha, transbordando de alegria. Quando chegou em casa, tratou logo de convidar seus amigos e vizinhos dizendo: “Venham compartilhar da minha alegria, porque achei a ovelha que estava perdida.”

«Notem que no reino dos céus acontece exatamente assim: Há mais regozijo quando um pecador, que outrora estava perdido longe de casa, volta para Deus, do que por noventa e nove que se julgam justos e acham que não precisam se arrepender de nada!»

«Tem também aquela outra estória:

«Uma mulher tinha dez valiosas moedas, dessas que as noivas usam em seus trajes nupciais. Mas aconteceu de vir a perder uma delas dentro da sua própria casa. Sabem o que ela fez? Acendeu uma lâmpada e vasculhou por toda a parte. Como estava difícil encontrar a moeda, pegou uma vassoura e começou a varrer cada recanto da casa. Ela fez esse trabalho cuidadosamente e não desistiu até que finalmente achou a preciosa moeda? E depois de tê-la encontrado, chamou as amigas e vizinhas exclamando: “Venham comemorar comigo porque achei a moeda perdida.”

«Mais uma vez, vejam que é assim também entre os anjos de Deus: eles ficam transbordando de alegria quando um pecador se arrepende porque reconhece estar perdido, mesmo dentro de casa.» (Lucas 15.1-11)

* * *

É curioso que os fariseus e escribas tenham reclamado do fato de Jesus comer com os pecadores, mas não dizerem nada sobre o fato de esses pecadores virem para ouvir a palavra. Atitude sintomática, própria daquelas pessoas que, preocupadas com a lei, deixam escapar o espírito, afeitos ao dogma que mata, perdem o poema que vivifica.

Que fique claro: os tais pecadores não vinham para comer com Jesus, vinham, antes, para ouvir-lhe a palavra. Jesus é que não separava as coisas. Jesus os recebia, desarmada e acolhedoramente, e compartilhava com eles o pão e a palavra. Pão-e-Palavra são uma coisa só: Jesus tanto é o Verbo que se fez carne, como também é o Pão que desceu do céu.

Essas pessoas viviam à margem da comunidade religiosa. Eram hostilizados e excluídos, porque eram considerados pecadores, culpados e errantes por aqueles que se julgavam justos. Aliás, a palavra errante cai bem aqui, não somente para designar o que erra, mas o que vaga por aí, sem destino. Eram considerados, perdidos e condenados a viverem afastados da comunidade e longe de Deus.

Por isso Jesus, dirigindo-se aos que o criticavam, conta-lhes as duas parábolas: a da ovelha que se perdeu lá fora no campo e a da moeda que foi perdida dentro de casa. Em suma, Jesus demonstra não haver diferença substancial entre os “pecadores” e os “justos”: ambos estão perdidos. A diferença está em que estão perdidos fora, e outros, dentro de casa. Ambos precisam ser reencontrados.

Ao dar atenção a ambos, “pecadores” e “justos”, Jesus nada mais faz do que repetir a atitude do pastor que, por importar-se com a ovelha que se perdeu lá no campo, sai do meio do seu rebanho para procurá-la; da mesma forma que a mulher, que perdera a moeda dentro de casa, aplica-se a encontrá-la. Tanto uns, os “pecadores”, como outros, os “justos”, são alvos do amor de Deus. Uns e outros estão perdidos. Uns e outros precisam ser encontrados. Uns e outros precisam arrepender-se. Uns e outros precisam redescobrir a alegria. Aqueles, voltando, ou sendo trazidos de volta para casa. Estes, sendo reencontrados e redescobrindo seu verdadeiro lugar na casa.

Enquanto nos escondermos de Deus, estaremos sempre no lugar errado, seja fora, seja dentro de casa. A questão não é estar fora ou dentro. O que é preciso é nos deixarmos achar, para podermos voltar a estar com Deus.

A verdadeira e maior festa no céu é a que acontece quando reunimos nossas amigas e amigos, quebrando todas as barreiras, e repartimos, sem preconceito, a alegria transbordante, que resulta do nosso reencontro com Deus.

Rev. Luiz Carlos Ramos
Para o Décimo Sétimo Domingo da Peregrinação após Pentecostes, Ano C, 2016

Arquivo 29-06-16 17 35 13

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3 Comentários

  1. Verdade…esta msg me tocou profundamente…os perdidos de fora e os de dentro…estou no grupo dos de dentro…Tem misericórdia de mim Pai, Tu És o mesmo, continua…infinita Sua misericórdia.

  2. Obrigado pela bela reflexão, meu amigo e mestre Luis Carlos. Peço-lhe permissão para compartilhá-la em nosso boletim local aqui na Igreja Metodista Institucional (Porto Alegre).

    • Salve, querido Marcelo.
      Ficarei muito feliz se você publicar esta reflexão no boletim da sua comunidade.
      Forte e saudoso abraço,
      Luiz

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