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T e x t o s & T e x t u r a s

Deus Absconditus

“Depois disso, Jesus foi levado para o céu diante deles.
Então uma nuvem o cobriu, e eles não puderam vê-lo mais.”
(At 1.9)

“Encontrei um altar em que está escrito:
‘O DEUS DESCONHECIDO’.”
 (Apóstolo Paulo, em Atos 17.23)

“Deus caritas est”
(1 João 4.8)

Ascensão do Senhor (© Marcos Brescovici)

  

Qual é a relação entre o Domingo Rogate (6º. Domingo da Páscoa) e a festa da Ascensão do Senhor (40 dias após a Páscoa)? Talvez a música do Gilberto Gil nos ajude a fazer essa conexão:

“Se eu quiser falar com Deus” (Gilberto Gil): 




O autor conta que fez essa música a pedido do Roberto Carlos:

“O Roberto me pediu uma canção; do que eu vou falar? E se eu quiser falar de Deus? E se eu quiser falar de falar com Deus?”

Conta-se que o Rei não gostou da canção, tanto é que nunca a gravou. Ao tomar conhecimento da música, teria dito que essa não era a ideia que ele tem de Deus.

Qual é a ideia do Deus cantada na canção? Pois aí está o “DEUS DESCONHECIDO”, pregado no Areópago pelo apóstolo Paulo, na cidade de Atenas (Atos 17). Trata-se do mesmo “Deus absconditus” a respeito do qual se referiram o protestante Martinho Lutero e o católico Pascal, à luz do “Deus misterioso” do profeta Isaías (45.15, na versão latina, a Vulgata: Vere tu es Deus absconditus Deus Israhel salvator).

Tal é o Cristo ressuscitado que, incógnito, senta-se à mesa com seus discípulos em Emaús, e que, ao mesmo tempo que se revela no partir do pão, desaparece da presença deles (et ipse evanuit ex oculis eorum – Lc 24.31).

Também no Evangelho de João, Maria Madalena reconhece o Mestre na figura de um jardineiro, e trata de agarrá-lo, pois teme que ele se vá. Mas o ressuscitado a repreende, dizendo: “Não me detenhas, porque […] subo para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus” (Jo 20.17).

Algo semelhante acontece no dia da ascensão do Senhor, narrada no livro dos Atos dos Apóstolos: “Depois disso, Jesus foi levado para o céu diante deles. Então uma nuvem o cobriu, e eles não puderam vê-lo mais” (At 1.9).

Esta concepção teológica afirma que Deus se tornou inacessível, escondendo-se dos olhos da humanidade pecadora, mas que se revela a essa mesma humanidade por meio do desafiador ato existencial da fé (lembram-se de Kierkegaard?).

Ao contrário do que muitos pregam, o Deus dos Evangelhos é mais um Deus que se oculta do que um Deus vedete, muito longe de um Jesus Christ superstar. Ele é antes o Deus absconditus, o Mysterium tremendum, o Deus Desconhecido.

Ora, sendo assim, não dá pra deixar de fazer a associação com a instrução de Jesus: “Quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto” (Pater tuus qui videt in abscôndito – Mt 6.6).

Orar a um Deus Absconditus pode ser angustiante, por causa do risco de tudo dar em nada:

“Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada /… /
Do que eu pensava encontrar”.

A agourenta, sequência de treze “nadas” insinuando, no dizer do compositor, sucessivas camadas de buraco (usando a expressão da scholar britânica Karen Armstrong), apavora os defensores das certezas eternas. Nem sequer se dão conta da última frase, que, para Gilberto Gil, é a expectativa de algo que culmina

“com uma luz no fim (do túnel, da estrada, da vida), quer dizer, deixando entrever embutida na morte, a possibilidade de realização de uma existência num plano diferente de tudo que se possa imaginar, mas que de qualquer maneira se imagina existir; a possibilidade de transmutação – com o desaparecimento do corpo físico, da entidade psíquica que chamamos de alma, inconsciente, eu – para outra coisa, outra forma de consciência de todo modo imprevisível, se não for mesmo nada”.

É aqui que o “nada-Deus” transforma-se no “totalmente Outro”, de Rudolf Otto, e na possibilidade plena da relação EU-TU, de Martin Buber.

Por que, então, Deus se esconde?
Talvez para que por essa ausência se abra espaço suficiente para que germine em nós a delicada semente do desejo de buscá-lo.

Por que Deus é Mistério tremendo?
Talvez o seja para que possamos ir além da razão e ousemos dar o salto da fé (afinal, não dizem as Escrituras que “o justo viverá pela fé”?, cf. Hc 2.4; Rm 1.17, Gl 3.11 Hb 10.38).

Por que Ele prefere ser um Deus Desconhecido?
Talvez o seja para que possamos viver na incessante expectativa de encontrá-lO a qualquer momento no encontro com o outro, de ver Seu rosto no rosto do irmão, no rosto da irmã… Ou talvez no rosto de algum dos pequeninos, mencionados em Mateus 25, que por aí vagam famintos, sedentos, nus, enfermos, presos… pobres.

E onde será que esse misterioso Deus desconhecido se esconde, afinal?
Ah, dizem os escritos sagrados que Deus se esconde no Amor. Ubi caritas, et amor, Deus ibi est. Onde há caridade e amor, Deus aí está; porque Deus é amor (1João 4.8).

Luiz Carlos Ramos
Domenica Rogate & Ascensão do Senhor, 2011

27 Comentários

  1. Pastor Luiz, na música o autor fala que tem de se aventurar com Deus, sem ter a certeza se ser ouvido, sem saber se terá aliviado o sofrimento, mas admite que precisa falar com Deus. E o senhor comenta de um Deus desconhecido. Bem, o apostolo João disse que “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, este o fêz conhecer”. (jo.1.18), e hebreu 4.16, afirma que podemos chegar com confiança (fé) ao trono da Graça , para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno. O senhor foi muito feliz ao lembrar que o justo viverá da fé, e quem são os justos se não aqueles que reconheceram a Jesus Cristo com Senhor e Salvador da suas vidas, então, o que falta ao compositor da música é ter um encontro com Deus por meio do Senhor Jesus, e alcançar graça que necessita.
    Que Deus lhe abençoe !

    • Caro Adail,
      quem somos nós para julgar quem alcançou ou não a graça de Deus.
      No máximo, podemos pensar com os reformadores que diziam que não somos salvos pelas obras, mas que essas são a consequência e a comprovação de que fomos alcançados pela Graça. E a maior expressão disso é o amor. Se tratamos os outros com respeito e amor, demosntramos que fomos alcançados pela graça.
      Abraço,
      Luiz

  2. Oi Pastor, graça e paz!

    Li o seu texto DEUS ABSCONDITUS e gostei muito! Gosto muito dos seus escritos. Você é muito inteligente e consegue absorver da Palavra detalhes que poucos conseguem perceber e, então, quando a gente lê, tem uma sensação mais ou menos assim: nossa! como eu não pude “ver” isso antes???? Parabéns, Pastor. Deus continue te usando em todo o tempo, para trazer às nossas mentes e corações aquilo de mais belo, puro e profundo que a Palavra pode revelar.

    Estou lendo um livro do Pr. Elienai Cabral Junior – Salvos da Perfeição – Mais Humanos e mais perto de Deus. Estou gostando muuuuito e, em um dos capítulos, ele trabalha a questão do culto. Lembrei tanto do senhor! O subtítulo é “O que pode estar “oculto” em nosso culto”. Baseado no texto de Marcos 3. 1-6 (o homem da mão ressequida), ele discorre com muita sabedoria e propriedade a questão do sábado (importante aos judeus) e do amor (de Jesus que traz o homem para o meio da sinagoga, sendo ele, até então, escondido na periferia dela, à margem, excluído, esquecido…). Compartilho aqui um dos parágrafos, que diz: “Uma religião que perde a compaixão, deixa de se sensibilizar com os doentes, de tão ocupada que está com os hereges. Deixa de se inspirar com os compassivos, obcecada que está para excluir os que destoam”.

    Deus te abençoe, pastor! Sempre…

    Respeitosamente,

    Cleide Trigo

  3. Caro Luiz,
    Há dois aspectos que gostaria de salientar nessa bela e profunda meditação:
    1) O ocultar/revelar de Deus: como metodista, formado na teologia wesleyana, só posso pensar na graça preveniente se entender que ela mostra um Deus Absconditus, que se revela misteriosamente na natureza, sua criação, nas palavras amigas que nos são ditas, nos pensamentos propícios e mesmo em sentimentos de insegurança e desalojamento. Se nego essa possibilidade nego a graça universal de Cristo, e nego assim o verdadeiro sentido de sua encarnação: trazer ao mundo a presença real de Deus, mas de forma desconcertante, pelo seu aspecto intrigante (pois não é intrigante um Deus menino que nasce numa estrebaria?)
    2) Quanto ao uso da música de Gil, parabéns. A única passagem dessa canção que sempre me incomodou é aquela que fala do pão que o diabo amassou. Mas depois que relacionei tradições populares com discurso teológico, pude entender que o poeta tratava ali de um processo de demonizar o sofrimento, ao mesmo tempo em que este se torna um elemento purificador, na melhor tradição bíblica e jesuânica.
    O uso de música popular na Igreja, ou no sermão, ainda é um tabu, infelizmente. Tive o privilégio de lecionar História da Música para seminaristas, mostrando como a música é um fenômeno humano, e tem relação com seu tempo e sua sociedade. Conheço também uma Igreja no RJ que usa MPB no seu cancioneiro litúrgico, e as pessoas cantam com tanto vigor! Aliás, tirando a melodia, muitas canções ditas gospel ensejam apenas um substrato de mantra, em que a palavra Cristo é repetida ad eternum… Prefiro as poesias pensantes, provocativas e que enlevam a alma. Há poetas protestantes também, mas que foram esquecidos, porque associados a uma Igreja não shekinacizada. Pena, porque teríamos canções mais poéticas, que certamente poderiam ser usadas nos sermões.
    Um abraço, irmão.

  4. Prezado professor Luiz Carlos;

    Sua Reflexão sobre o DEUS DESCONHECIDO foi impressionante, a forma como o sr. relatou a figura de Deus utilizando uma música contemporânea além de linda mostrou, mais uma vez, que Deus é capaz de se revelar fora dos parâmetros da igreja e para qualquer um. Peço a Deus, esse DEUS DESCONHECIDO, que se revele cada vez mais na sua vida e que o sr. se aventure muito mais em conhecê-lo. Abraços.

  5. ah,

    e wesleyana!!!

    e sua mensagem realmente, soa…

    soa nos pensamentos e nos corações…

  6. Olá querido Rev Luiz!

    Que bom!

    Obrigado pelo texto muito reflexivo…
    E o melhor é que estamos estudando Heidegger aqui com o Wesley… podemos ter muitas articulações várias com seu texto…

    Obrigado por sempre nos edificar, e nos “puxar” para uma religiosidade sadia, que nos conduz em uma caminhada relacional e esperançosa…

    Forte Abraço

  7. Prezado Prof. Luiz Carlos, Graça e Paz!

    Primeiro quero afirmar o seu valor e o valor de muitos textos que voce escreve e eu os leio.
    Segundo que eu nao posso acuza-lo de nada, senao interpletar alguns aspectos de seu texto em sua forma de expressar. De fato continuo em minha racionalidade e espiritualidade biblico wesleyana discordando de alguns aspectos do seu texto, em especial no conteudo e visao teologica. Sabendo que as discordancias podem nao constituir heresias, mas diferentes modos de expressar o saber e a experiencia de cada um.
    Fraternalmente,
    Adonias

  8. Luiz, adoro me debruçar na tua janela e poder olhar o horizonte com os teus olhos… são assim os teus textos pra mim…. beijo grande…

  9. Professor e irmão Luiz,
    Bom dia com muita graça e muita paz.
    Posso usar este material na Igreja em Campo Belo? Será uma Bênção poder compartilhar este estudo com a nossa comunidade.
    Saúde e sucesso,

    Augusto Neto

  10. Excelente, Ely. Eu partilho desta sua experiência. Faz muito tempo que percebi ser a racionalidade insuficiente para dar conta de minha vivência de fé. Continuo muito crítico daquelas formas de religiosidade que se apegam à insensatez (isto é, ao desprezo pelo racional), mas me deixo inundar e embalar pela experiência do numinoso, do espanto perante o Todo-Outro, que não se deixa apreender nem pelas formulas credais nem mesmo por nossas construídas experiências litúrgicas, que nos levam aonde queremos que nos levem. O encontro do Superno vai para além de tudo. Basta a gente lembrar que não é “neste monte nem em Jerusalém” que se adora o Pai, mas que isto ocorre em espírito (no espaço do pneuma, do vento, que sopra onde quer) e em verdade (para além das nossas normas e de nossos limitados modos de entender esta verdade).

  11. Eu havia feito um pequeno comentário na terça-feira última ao próprio Liuiz Carlos, comentando o impacto positivo desta mensagem em um contexto rico de celebração litúrgica. Em minha caminhada de fé tenho claro que esta se situa no campo das emoções, dos sentimentos, dos afetos, enquanto o nosso teologar e nossos questionamentos se situam no terreno racional. No campo da razão frequentemente entramos em becos sem saídas, perguntas sem respostas, dúvidas que não se resolvem. Por isso, enquanto crentes precisamos deste orvalho da celebração, quando a fé se abre ao mistério, e se resolve na sintonia do amor revisitado na caminhada litúrgica com os desafios do mundo contemporâneo que apelam à nossa prática efetiva do amor. Neste contexto não há como nomear Deus. Lembro-me de uma resposta do Aharon Sapzesian, na internet, quando ele ressurgia de seu segundo enfarto, e ao comunicar a amigos sua experiência de emergir para a vida, deve ter sido cobrado por não se referir a Deus como o causador de sua cura. Em resposta ele afirma a não-fé, isto é, sua recusa de usar o desgastadíssimo nome de Deus, hoje ocupado por toda a sorte de conteúdos que beiram à idolatria. Sua causa, importante para ele e sua família, não era suficientemente importante para sobrecarregar qualquer Deus com pedidos tão particulares, considerando toda a miséria presente no mundo. A ele bastava estar a cuidado pelos mensageiros deste Ser que se relaciona à nossa fé, os médicos, enfermeiros e hospitais que o ajudaram a sobreviver. E nesta linha de comu- nicação ele afirma seu compromisso com o projeto histórico de Jesus que o empolga e anima sua fé, ao mesmo tempo que afirmou sua fé no Deus Mistério, o “Mistério Profundo”, em contexto análogo ao Deus Abscôndito de domingo passado.

    Há algum tempo, como filho teimoso do Iluminismo que sempre procura evocar a razão, estou cada vez mais me abrindo a esta fé mistério, a partir das enormes dúvidas que me assaltam na definição de “meu Credo”. Como afirmou o teólogo suíço Karl Barth, tão importante em nossa juventude, a melhor definição de fé na Bíblia é a do centurião, que perguntado por Jesus se cria, afirmou convicto: “sim, creio, mas ajuda-me na minha incredulidade”. Pois ingressar nesta esfera do mistério não nos conduz ao abandono da racionalidade. Por isso resolvemos esta tensão no “mistério da liturgia”, como no domingo passado, quando somos relembrados pelo profeta Gilberto Gil que esta fé não dá em nada (repetido 13 vezes na canção) daquilo que esperamos encontrar. Fé nunca foi certeza. Mas entregar-se a este mundo de mistério, mesmo que após a morte ingressemos no grande Nada. Nosso amor não é uma barganha para merecer algo, mas pura dádiva que nos aproxima da santidade evangélica (e para nós, wesleyana). Mas, de novo, não uma santidade material, mas aquela que nasce da experiência da misericórdia, a santidade de se descobrir plenamente humano.

    A celebração de domingo, em que pese o juízo de um não crente (pois que insiste em uma revelação que termina nas certezas, e não na certeza do incógnito do evangelho neotestamentário), foi água que atingiu minhas profundezas mais desconhecidas, a tal ponto que o canto em latim ao final, no qual Deus desaguava no amor (caritas) se tornou para mim em meu credo “provisório” mas efetivo, alimentando minhas raízes que me sustentam. De fato, aquela experiência é indescritível, (daí que não consigo dar conta dela aqui) pois se situou no nível da fé adesão das afeições que arrastam consigo, misteriosamente, minha própria racional.

  12. Meu mestre, os meus queridos de Lucélia não podiam perder. Assim como eu todos foram abençoados. Obrigada Luiz.

  13. Querido Luiz! Tal como lhe disse na quarta-feira, esta homilia ficou sublime. O Gil me diz muito e esta canção, de maneira especial, me faz chegar mais perto deste “Deus desconhecido que se esconde”.
    E quer saber: há outras canções de Gil que me inspiram na caminhada eclesial.
    Agora por exemplo, a canção seria:
    “Ôôô , ôô
    Gente estúpida
    Ôôô , ôô
    Gente hipócrita”
    Conhecer-te e ser sua aluna, foi um dos presentes bons que encontrei nesta estrada…
    Como diria Gil…
    “Aquele abraço…”

  14. Ouvi duas duas vezes e se tivesse apelo no final eu se convertia de novo em ambas as duas! Sempre um presente de Deus ouvir meu chefe pregar!

  15. Todo sermão deveria ser assim, para pensar e pensar e pensar. Obrigada Luiz Carlos Ramos!

  16. Caro Luiz:
    De fato, buscar a Deus pode dar em nada… do que eu imaginava. Se levarmos em conta a profundidade bíblica desta expressão, notaremos o que os profetas denunciavam. Buscar um Deus que é igualzinho ao que eu penso dele, é construir antes um ídolo e não encontrar o Deus escondido/sacramentado em cada gesto de amor.
    Já dizia Ramon Panikar, teólogo espanhol: “Ao bezerro não importa que seja de ouro pode ser de ideias”.
    Toda reflexão sobre o Deus Absconditus é uma crítica em querer encerrar a Deus num discurso doutrinário, mesmo o supostamente mais acertado, já que, como você mesmo lembra, a única forma segura de falar de Deus é o amor, e isso não está sob controle de nenhum de nós…

  17. Estimado Luiz Carlos
    Poder reler sua mensagem sobre o Deus que se revela PLENA PRESENÇA e ao mesmo tempo TODO OUTRO me permitiu recuperar em parte a experiência de encantamento e sublimidade que ela nos trouxe neste último domingo. É incrível como a graça de Deus permite que mesmo as pessoas que não estão afiliadas a uma Igreja – como é o caso do Gilberto Gil – possam partilhar da experiência de poder falar com Ele, dentro de sua própria compreensão e em seus próprios termos. Os comentários do Bispo Adonias dão a entender que ele não consegue perceber isto, porque acredita que você pregou uma “religião de mistérios, de ocultismo, de distanciamento”, quando, ao contrário, sua mensagem foi a de que o evangelho é a revelação de um Deus que se apresenta pleno ao ser humano e ao mesmo tempo preserva sua realidade eterna e SUPERNA! Faz muito tempo que eu não ouço uma mensagem tão profunda e provocadora à reflexão! Muito obrigado.

  18. Sua mensagem nos ajuda a resgatarmos o mistério tão fundamental à adoração a Deus…

    No afã de adquirir adeptos (e poderes), muitos religiosos pensam conhecer tanto a Deus, que acabam adorando os ídolos que moram em suas idéias!

    Grato pelas espirituais palavras que nos conduzem à fé!

  19. Prezado Luiz

    Fui apresentado ao seu blog pelo meu querido amigo Gladir.
    Parabéns por ele e por este texto.
    Lembrei-me de São João da Cruz: “Deus se esconde…dentro de nós”
    Apenas uma pequena correção: Karen Armstrong é britânica.

    Abraço fraterno,

    Jorge

    • Obrigado, Jorge, por sua sensibilidade e pela feliz lembrança do “Deus se esconde… dentro de nós”. Obrigado também pela correção sobre a nacionalidade da KA (já estou reparando a falha).
      Ah, e se você é amigo do meu querido Gladir, você já é meu amigo, de coração.
      Receba meu abraço afetuoso,
      Luiz

  20. Sua mensagem Soa… ( nao sua)

  21. Prof. Luiz Carlos, graça e paz!

    Li sua mensagem, respeito sua visao pessoal das coisas, mas ela nao é apropriada para um mundo tao inseguro e incerto como o nosso. De fato Gilberto Gil deve ter motivos para cantar o que cantou, pois ele nao é um seguidor, discipulo de Jesus Cristo, mas voce é um pastor de almas e deve levar esperança crista segura para o coraçao tao incerto das pessoas sem Deus. O Evangelho é a encarnaçao de Deus entre os homens, nao a ocultaçao da face de Deus. Jesus Cristo é a revelaçao, aproximaçao de Deus juntos aos homens/mulheres. Sua mensagem sua religiao de misterios, de ocultismo, de distanciamento, a Biblia sempre trouxe Deus para perto de nós, por favor nao o distancie do povo. nao precisa ser do jeito que muitos fazem, brincando com Deus, mas tambem nao precisa escondelo, pois Ele sabe se defender muito bem sozinho. Deus ilumine a cada dia nossa firme caminhada de uma fé viva, num Deus vivo manifestado em Cristo Jesus.

    • Reverendíssimo Bispo Adonias, que honra tê-lo como leitor do meu texto.
      Obrigado por suas considerações. Naturalmente, não precisamos concordar em tudo. Só lhe peço que, por favor, não me acuse de pregar religião de mistérios, ou mensagens de ocultismo… Isso seria distorcer impiedosamente a pregação do Evangelho do Deus que se esconde/revela no Amor, explicitado com toda clareza até o último parágrafo da prédica. Mensagem essa que preparei com tanta sensibilidade e preguei com profundo respeito na igreja onde congrego e na comunidade acadêmica onde leciono.
      Obrigado por seus votos finais de iluminação, os quais retribuo rogando a Deus que sempre lhe dê sabedoria para agir em Amor.
      Fraterna e cordialmente,
      Luiz Carlos Ramos

  22. Acabei de ler seu texto sobre a ascensão de Jesus, sobre o Deus Absconditus. Seu texto é profundo, desafiador, ousado, e difícil, como difícil é a fé. Sabe, ao ler seu texto eu me lembrei do Evangelho de Mateus: em Mateus não há relato da ascensão. O primeiro capítulo fala do E…manuel, “Deus conosco”. O último capítulo fala “eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. E no 25 ele diz que está presente no que tem fome, no que tem sede, no que precisa de roupa, de atenção, de carinho, de uma visita. Aí eu me lembro também daquele quebra cabeça “Onde está Wally?”. Onde está Jesus? Mateus 25 dá a resposta. Parabéns por um texto tão ousado e tão denso.
    Carlos Caldas Ver mais

  23. Luiz! Que bela e inspirada prédica!
    Orar no interior do coração para o Deus desconhecido, ao contrário do que muitos pensam, é uma das mais belas experiência místicas que esse mesmo Deus nos presenteou… um encontro secreto, íntimo, amoroso, repleto de significações, um ato de fé que nos faz crescer e aprender a amar sem certezas!

  24. Beleza!

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