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T e x t o s & T e x t u r a s

Entre a estupidez insana e a estupidez consciente

“ Um abismo chama outro abismo,
ao fragor das tuas catadupas;
todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim.
[…] Por que estás abatida, ó minha alma?
Por que te perturbas dentro de mim?”
(Salmo 42.7, 11)

Ao que tudo indica, Wellington Menezes de Oliveira apresentava um quadro psicótico. Muito possivelmente, era esquizofrênico (ora, sabe-se que uma pessoa com esse quadro de alteração mental não pode ser responsabilizado por seus atos da mesma forma que uma pessoa no exercício pleno de suas faculdades, porque aquela vive de acordo com a lógica própria dos seus delírios e não de acordo com a realidade).

Muito possivelmente, o autor do massacre que matou 12 crianças numa escola no bairro do Realengo na última quinta-feira, por causa do seu comportamento incomum, sofreu, talvez durante anos, com a hostilidade, o desprezo, a rejeição e a impiedade da parte de colegas, familiares e de outras pessoas da comunidade. Esse tratamento recebido possivelmente serviu para agravar seu quadro delirante.

A doença psíquica agravada pela prática ostensiva do buillying, amiúde, resulta em finais trágicos.

Hoje pela manhã ouvi a notícia de que a casa dos familiares, onde sequer o Wellington vivia mais, tinha sido alvo de vandalismo grotesco. Fiquei a perguntar: O que justificaria essa atitude do populacho? Vingança? Revanche? Extravasamento? Chilique? Que resultados positivos tal vandalismo poderia produzir se o rapaz já está morto? De lá do outro lado, onde quer que esteja, se puder ver esses populares afetados, certamente estará rindo deles. De que maneira ele poderia ser atingido? E o que têm a casa, ou as pessoas que lá vivem, com isso?

Nada pode diminuir a dor dos que nos sentimos vitimados, ou aplacar-nos a revolta, no entanto há uma diferença crucial entre nós e o autor do massacre. Wellington era doente, insano. Mas nós, não, e certamente esses vândalos também não são. Ao contrário, somos bem conscientes de tudo o que fazemos.

Sendo assim, não há como não perguntar: quem é pior, nessa história, os estúpidos insanos, ou os estúpidos “saudáveis”?

O Wellingtong denunciou, com sua loucura, e da maneira mais estúpida possível, a loucura e a estupidez impiedosa da nossa sociedade. Dele não temos mais o que temer, quanto a nós… que Deus nos proteja de nós mesmos.

Luiz Carlos Ramos
(9.4.11)

P.S.: Neste exato momento (sábado, 13:30h) está sendo divulgado outro episódio de franco atirador em um centro comercial holandês.

3 Comentários

  1. Ótimo texto! Que Deus nos proteja de nossa própria estupidez! Amém!

  2. Coloquei meu coração na miséria do meu próximo e assustei-me. “Que Deus nos livre de nós mesmos”. Saudades e bjos

  3. Concordo, como vc disse:”Deus nos livre de nós mesmos”

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