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T e x t o s & T e x t u r a s

Não faça da igreja um shopping center

vendilhoes

João 2.13-22

Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio. Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me consumirá. Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Que sinal nos mostras, para fazeres estas coisas? Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto; e creram na Escritura e na palavra de Jesus.

“Religião sempre foi um negócio lucrativo”, assim começa a reportagem publicada em 2013 pela Revista de negócios e economia norte-americana Forbes, que costuma divulgar as listas dos maiores milionários do mundo, desta vez anunciando a lista dos pastores mais ricos do Brasil. A lista era encabeçada pelo Bispo Macedo, com uma fortuna estimada em $950 milhões de Dólares, depois vem Valdemiro Santiago com $220 milhões de dólares, seguido de perto por Silas Malafaia com $150 milhões, R. R. Soares, com $125 e Estevam e Sonia Hernandes, com $56 milhões.

Essa revista, que não tem nenhuma pretensão teológica, explica que o motivo dessa riqueza é que as igrejas neopentecostais pregam a prosperidade como bênção divina, enquanto as igrejas históricas ainda pregam a salvação em Cristo. O evangelho foi engolido pela “indústria da fé”.

De fato, o comércio no Templo é dos mais lucrativos, e isso não é de agora. Nos tempos de Jesus também foi assim. Sob o argumento de que os animais oferecidos em sacrifício deveriam ser apresentados sem mácula, os funcionários do Templo insistiam para que os peregrinos, que vinham para pagar seus votos e seus tributos, preferissem comprar os animais em Jerusalém mesmo, e não trazê-los pelas escarpadas estradas palestinas, correndo o risco de ferir, sujar, e até perde-los pelo caminho.

O problema é que isso provocava inflação. Uma pombinha, que era a oferta dos mais pobres, ou uma ovelha, e ainda um boi, que era a oferenda dos ricos, chegava a triplicar de preço em Jerusalém, em relação ao praticado nas localidades de origem dos peregrinos.

E tinha mais, em ocasiões como a festa da Páscoa, para a qual vinha grande quantidade de gente, nem que quisessem os sacerdotes não conseguiriam sacrificar todos os animais ofertados. Na verdade, a maioria deles era levado para um lugar reservado e depois retornavam para as bancas dos comerciantes para serem vendidos novamente. Uma mesma ovelha era vendida dezenas de vezes numa semana movimentada. “Negócio da china” é fichinha perto disso.

Outra questão ainda era o dinheiro. No Templo não se aceita qualquer moeda, mas tão somente as consideradas “puras”. Então, os que vinham de lugarejos distantes, tinham que fazer o devido câmbio dos valores destinados às oferendas sagradas. E não é preciso ser muito esperto para saber que rolava um câmbio paralelo muito desvantajoso para o peregrino.

Em suma, Jesus entrou no Templo e não gostou nada do que viu. Indignou-se profundamente. (Há somente dois episódios nos Evangelhos nos quais Jesus “sai da linha”: Quando os seus discípulos começaram a enxotar as crianças que eram trazidas para serem abençoadas, e este, dos cambistas e vendilhões do Templo.)

Que faz Jesus com os que transformam o Templo em mercado, a “casa de oração” em “covil de salteadores” (cf. Mt 21.12-13)? Expulsa a todos a chicotadas! Jesus só saiu vivo dali porque tinha o apoio da multidão.

Conclusão: Templo não é mercado, igreja não é shopping center. Sacerdotes não são mercadores, religiosos não são investidores.

Hoje, compete a nós, se de fato somos discípulos de Cristo, expulsar os comerciantes dos templos, porque transformam o que deveria ser lugar de oração para todos os povos em centro comercial para a exploração dos mais pequeninos da sociedade.

Mas temo que hoje nos falte o apoio da multidão.

E bem que gostaria de convocar a todos para oramos pela igreja, mas também temo que não encontremos na redondeza uma casa de oração.


Reverendo Luiz Carlos Ramos

Pregado pela primeira vez na Igreja metodista em Pirassununga, aos 8 de março de 205,
por ocasião do Terceiro Domingo na Quaresma (Ano B)
© 2015 by Luiz Carlos Ramos

Um comentário

  1. – Infelizmente Igrejas como Assembléia de Deus seja do Ministério do Madureira ou do Belém, viram vantagens em mudar com o tempo suas ideologias, na verdade a Igreja Universal do Reino De Deus, antes criticada de forma feroz, hoje e vista como referencia para o Marketing Religioso, e vale tudo para acompanhar as novas tendencia de mercado, para tal as Igrejas se tornaram lugares para vender seja Salgados e Doces nas Cantinas, fazendo ate arraial algo que era da Igreja Católica Apostólica Romana, claro sempre com aquela justificativa que é para o Reino De Deus, atualmente o Brasil vem passado por uma Reforma, o conceito de Shopping Center com berçários, amplos estacionamentos por que não dizer pagos, Ar Condicionados, Lojinhas para a venda de CD´s, DVD´s, Livros é etc.
    – Usar as Redes Sociais para transmitir cultos ao vivo, divulgar campanhas, Festividades, de fato é algo assustador.
    – O Marketing Religioso atualmente é um assunto muito atual, e não temos muito o que fazer a não ser sair desse ´´sistema´´ já que eles conseguem colocar na mente das pessoas que temos que mudar, os tempos são outros, agora podemos ser a ´´nova Burguesia´´. Agora você ira vender, a gente as vezes nem percebe as ferramentas usadas para justificar esse ´´sistema´´.
    – Somos os novos consumidores, não somos mais os fiéis as ´´ovelhas de Cristo´´.
    – Alguns Pregadores são verdadeiros Palestrantes ou Vendedores da ´´Fé´´.

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