Menu de navegação de página

T e x t o s & T e x t u r a s

Nem bolsa, nem alforje, nem sandálias

001-lumo-emmaus

Lucas 10.1-11, 16-20:

Depois daquele diálogo com o mercenário, o recruta e o voluntário, o Senhor escolheu setenta dentre os seus seguidores e os enviou de dois em dois a fim de que fossem adiante dele para cada cidade e lugar aonde ele tinha de ir, preparando-lhe o caminho.

Antes de os enviar, porém, ele lhes deu as seguintes instruções:

— A lavoura é grande, mas há poucos lavradores, por isso, orem pedindo ao dono da lavoura que mande mais trabalhadores para ajudar na colheita. Feito isso, vão em frente! Saibam, porém, que eu os estou enviando como ovelhas para o meio de lobos. Por isso, é melhor não levar bolsa de dinheiro, nem alforje com comida kosher [alimentos permitidos para o consumo dos judeus], nem sandálias extras. E não parem no caminho nem se atrasem por causa de ninguém, evitem aqueles rituais complicados de saudação que os fariseus gostam de fazer nas praças públicas. Quando entrarem numa casa, antes de qualquer coisa, digam: “Que a paz esteja nesta casa!” Se as pessoas que ali morarem forem filhos da paz, a paz repousará sobre elas; mas, se não forem, a paz retornará para vocês. Fiquem na mesma casa e comam e bebam o que lhes oferecerem, pois o trabalhador merece o seu salário. Mas não fiquem escolhendo e mudando de uma casa para outra.

— Quando entrarem numa cidade e forem bem-recebidos, comam a comida que derem a vocês. Curem os doentes daquela cidade e digam ao povo dali: “O Reino de Deus chegou até vocês.” Porém, quando entrarem numa cidade e não forem bem-recebidos, vão pelas ruas, dizendo: “Até a poeira desta cidade que grudou nos nossos pés nós sacudimos contra vocês! Mas lembrem-se disto: A despeito do que vocês pensem ou façam, o Reino de Deus está definitivamente entre vocês.” […]

Os setenta voltaram muito eufóricos e relatavam a Jesus:

— Senhor, aconteceram coisas incríveis. Até os demônios nos obedeciam quando, pelo poder do seu nome, nós mandávamos que saíssem das pessoas!

Jesus respondeu:

— De fato, eu já vi isso uma vez: Satanás, cheio de orgulho e soberba, caindo do céu como um raio. Escutem! Eu dei a vocês poder para pisar cobras e escorpiões e para vencer a força do inimigo, e saírem ilesos. Porém não é esse o principal motivo nem deve ser essa a maior causa da alegria de vocês, isto é, que os espíritos maus lhes obedecem, mas vocês devem regozijar-se porque o nome de cada um de vocês está escrito no céu, isso sim.

* * *

Depois do diálogo com o mercenário, o recruta e o voluntário, Jesus decidiu constituir o seu próprio sinédrio. O sinédrio dos judeus era formado por 70 ou 72 anciãos, todos muito zelosos da lei, geralmente ricos e proeminentes. Alguns eram bem afetados, e se gabavam de não comer nada impuro, tinham o hábito de se promoverem mutuamente quando se encontravam em público, repedindo um intrincado ritual de saudação que incluía abraços, beijos, prostrações, e mais abraços e mais beijos e mais prostrações… repetiam isso até dez vezes, segundo dizem. Pelo visto, era gente muito chata mesmo.

Coerente com o diálogo que tivera com o recruta e os voluntários, Jesus dá recomendações, e envia seus missionários de dois em dois (estariam entre eles o recruta e os voluntários?):

— Vocês não são ricos nem precisam de riqueza, por isso não é preciso levar bolsas pra pôr dinheiro; além do que esse negócio de considerar a comida dos outros impura ou nojenta não é de Deus, por isso, não é preciso levar aquela matula de comida autorizada. Toda refeição tomada com ação de graças, e com gosto de partilha solidária, é sagrada. Também não se desgastem levando peso morto. Lembrem-se de que eu mesmo não carrego comigo sequer um travesseiro.

— 70 é o número da totalidade, por isso, não deixem ninguém de lado, ninguém deve ser discriminado ou marginalizado. Todos, sem exceção são destinatários do Evangelho. Os que os tratarem com hospitalidade receberão em troca a paz. E mesmo aqueles que os rejeitarem e expulsarem saberão que o reino de Deus já está entre eles.

E não se esqueçam: curem as pessoas! O Evangelho não deve oprimir, nem adoecer as pessoas. Depois de conhecer o amor de Deus ninguém deve ficar pior do que era antes. Portanto, curem/salvem as pessoas, não as condenem.

Assim fizeram, pelo visto.

O sinédrio de Jesus foi bem sucedido na sua empreitada missionária e os 70 voltaram para apresentar seu relatório. Estavam eufóricos… Mas, de novo, Jesus parece que lhes deu um banho frio, para que recuperassem o bom-senso, advertindo-os mais ou menos nestes termos:

— Cuidado! Eu já vi esse filme antes. Também foi assim com satanás, que cheio de soberba e orgulho, se achando o máximo, despencou das alturas como um raio para terminar nas profundezas das trevas. Prestem bem atenção no que eu vou dizer, e não se esqueçam nunca mais: O maior, se não o único, motivo para nos alegrarmos, não é o que nós fizemos ou fazemos por Deus, mas, sim, o que Deus fez, faz e fará por nós. Nada do que fizermos se compara ao fato de Deus, em sua infinita graça, ter escrito os nossos nomes no Livro da Vida!

Reverendo Luiz Carlos Ramos
(Para o Sétimo Domingo da Peregrinação após Pentecostes, Ano C, 2016)

3 Comentários

  1. Excelente!

  2. Belo texto professor. Temos um projeto que abençoa muitas vidas chamado Casa de paz, o sr conhece? Uma bênção Abraços, saudades.

    • Obrigado, caro amigo.
      Não conheço ainda a Casa da Paz. Conte mais sobre esse projeto.
      Abraço,
      Luiz

Deixe um comentário

%d blogueiros gostam disto: