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T e x t o s & T e x t u r a s

Nosso Deus recém-nasceu!

A Noite Estrelada – Van Gogh

Nosso Deus recém-nasceu | Texto e alocução by Luiz Carlos Ramos | Trilha: Vincent (Starry, Starry Night, Don MacLean) Classical Guitar – John Knowles

 Clique aqui para baixar o arquivo em MP3

* * *

Lucas 1.1-14

Justamente naquela ocasião, enquanto acontecia tudo aquilo com Maria e José, Isabel e Zacarias, o imperador Augusto mandou uma ordem para todo o território ocupado pelo Império Romano: Todas as pessoas deviam se registrar a fim de ser feita uma contagem da população. Quando foi feito esse primeiro recenseamento, Cirênio era governador da Síria.

Então todos tiveram que se registrar, cada um na sua própria cidade.

Por isso José foi de Nazaré, na Galileia, onde havia conseguido trabalho na construção civil, para uma cidade chamada Belém, localizada na região da Judeia. Essa era a cidade natal do rei Davi e José foi registrar-se lá porque havia nascido lá e porque era descendente de Davi. Levou consigo Maria, sua esposa. Ela estava grávida, e aconteceu que, estando em Belém, chegou a hora de a criança nascer.

E ali Maria deu à luz o seu primeiro filho. Enrolou o menino em panos e o deitou numa manjedoura, pois não havia lugar para eles na pensão do lugar.

Naquela mesma região havia pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta dos rebanhos de ovelhas. Eles foram surpreendidos por um anjo do Senhor que apareceu no meio da noite, e a luz gloriosa do Senhor brilhou por cima dos pastores. A princípio eles ficaram apavorados, mas o anjo disse:

— Não precisam ter medo! Porque estou aqui para trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês — o Messias, o Senhor!

Se quiserem comprovar, é só procurar uma criancinha enrolada em panos e deitada numa manjedoura.

No mesmo instante apareceu junto com esse anjo uma multidão de outros anjos, como se fosse um coro celestial. Eles cantavam hinos de louvor a Deus, dizendo:

— Glória a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para todas as pessoas a quem ele quer bem!

 

* * *

Van Gogh pintava estrelas. Dizem que seu quadro chamado “Noite estrelada” marcou a mudança definitiva do estilo do pintor. Rompe com o impressionismo e adota, a partir de então, um estilo próprio, no qual prevalecem fortes cores primárias, como o vermelho, o azul e o amarelo, repletos de significados muito particulares para o artista. Dizem ainda que o tal quadro foi pintado de memória, quando Van Gogh estava internado num asilo.

Quem compara uma foto das estrelas tirada com altíssima definição pelo telescópio espacial Hubble, verá pouca semelhança entre as estrelas de Van Gogh e as estrelas “de verdade”.

No entanto, não há notícias de que uma única foto tirada pelo Hubble tenha sido alguma vez vendida por milhões de dólares, ainda que para serem produzidas tenham, sim, custado muitos milhões de dólares.

Os que procuram relatos fotojornalísticos nas histórias do Natal estão fadados ao desapontamento. Os retratos evangélicos não advogam fidelidade jornalística.

Quem se apega à historicidade dessas narrativas se mete em um labirinto de frustrações:

Quirino (ou Cirênio) seria de fato o governador da Síria na época aprazada? E o tal recenseamento, aconteceu desse jeito? Em que ano, afinal, terá nascido Jesus? E o massacre dos inocentes, decretado por Herodes, aconteceu mesmo? E que história é essa de que Maria era virgem e ainda continuou assim depois de dar à luz?

Onde estão as provas ginecológicas, históricas e arqueológicas de tudo isso?

A diferença entre um registro fotojornalístico e um artístico é o mesmo que se percebe entre uma foto que ilustra uma manchete, na capa de um jornal, e um quadro de Van Gogh, exposto numa galeria de arte.

Os evangelistas pintaram a história do Natal com as tintas da saudade, que têm as cores primárias da fé, da esperança e do amor. Por isso sua narrativa tem valor infinitamente maior do que qualquer relato jornalístico. Como Van Gogh, os evangelistas inauguraram uma nova modalidade literária, e Literatura é a Arte da Palavra. EVANGELHO vem do grego eu+aggelion, isto é, bom/belo+informação/novidade/notícia. Tratam-se, portanto, das novidades sobre o bom e o belo.

Os relatos evangélicos do Natal superam em tudo os livros de História e as páginas dos jornais.

A grande novidade sobre o bom e o belo do Natal é que Deus visita a humanidade na humildade de uma poetazinha que, ao ver sua barriga se arredondando, passa a compor cânticos p(r)o(f)éticos, ao mesmo tempo que sente no ventre os ponta-pezinhos vigorosos da esperança. Grandes reis e governadores do mundo são derrotados pelo poder irresistível de um bebezinho que, indefeso, dorme num berço de palha. A suntuosidade dos palácios não consegue competir com o glamour que toma conta do curral. Cuidadores de cabras são despertados no meio da noite pelo coro dos mensageiros do céu, que entoam radiantes suas serenatas de paz. As estrelas brilham tão intensamente que unem, com uma ponte de luz, o Oriente e o Ocidente. Dançando os sinos proclamam:

Natal!

Natal, Natal! É Natal!

O Deus bebê, Emanuel,

Recém-nasceu, sim, desceu do céu!

Natal, Natal! É Natal! Natal, Natal!

!

Notícias de jornal a gente lê e joga fora. Diferentes das pinturas de Van Gogh, que a gente não enjoa nunca de contemplar e, à medida que o tempo passa, seu valor só aumenta, a ponto de se tornar incalculável. Contos fundamentalistas de Natal são histórias pra boi dormir, mas as boas-novas sobre o bom e o belo —do Poema que se fez corpo e habitou entre nós cheio de ternura e de bondade, da luz que vinda ao mundo ilumina a toda a humanidade—, estas, sim, nos fazem ficar acordados no meio da noite para podermos contemplar, sempre de novo, e com a mesma saudade, a História de todas as histórias, pintadas com as tintas da fé, da esperança e do amor.

Feliz Natal!

Nosso Deus recém-nasceu!

Rev. Luiz Carlos Ramos
Para o Natal
| Ano A, 2016/2017

Arquivo 29-06-16 17 35 13

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