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T e x t o s & T e x t u r a s

O celeiro cheio e o coração vazio

Parable of the Rich Man or “The Money Changer” (Das Gleichnis vom reichen Kornbauern / Der reiche Narr / Der Geldwechsler), 1627, Rembrandt van Rijn (Dutch Baroque Era Painter and Engraver, 1606-1669), oil on oak panel, 32 × 42.5 cm (12.6 × 16.7 in.), Staatliche Museen, Gemäldegalerie, Berlin, Germany.

Parable of the Rich Man or “The Money Changer” (Das Gleichnis vom reichen Kornbauern / Der reiche Narr / Der Geldwechsler), 1627, Rembrandt van Rijn (Dutch Baroque Era Painter and Engraver, 1606-1669), oil on oak panel, 32 × 42.5 cm (12.6 × 16.7 in.), Staatliche Museen, Gemäldegalerie, Berlin, Germany.

(Texto e alocução by Luiz Carlos Ramos)

* * *

Um homem que estava no meio da multidão pediu a Jesus: — Mestre, mande o meu irmão repartir comigo a herança. Jesus indagou: — Homem, quem lhe disse que compete a mim julgar esse tipo de demanda ou de repartir propriedades entre vocês?

Então, dirigindo-se a todos, continuou: — Tenham cuidado e fujam de todo tipo de avareza* porque a vida de uma pessoa não depende da quantidade de coisas que ela possui.

A seguir Jesus contou a seguinte parábola: — Aconteceu, certa feita, que as terras de um homem rico deram grande colheita. E ele, empolgado, pensava consigo mesmo: “A produção é tanta que já não tenho lugar para guardar toda esta colheita. O que é que vou fazer? Preciso achar uma solução. Ah! Já sei! — disse para si mesmo. — Vou derrubar os celeiros velhos e construir novos, bem maiores que aqueles. Assim poderei guardar neles todas as minhas colheitas, e haverá espaço para colocar junto tudo o que tenho. Aí, sim, direi à minha alma: ‘Você tem tudo que precisa para viver tranquilo por muitos e muitos anos. Agora é só descansar, comer, beber e festejar.’ ”

Só que os planos de Deus eram outros, e lhe disse: “Seu tolo! Esta noite mesmo sua alma será recolhida; e aí? quem ficará com tudo o que você acumulou?”

Jesus concluiu

— Isso é o que acontece com aqueles que só juntam riquezas para si mesmos, e por isso nunca chegam a ser ricos para Deus. (Lucas 12.13-21)

————
* Avareza é o apego demasiado e sórdido ao dinheiro. É o desejo ardente de acumular riqueza. Avareza é a falta de generosidade é a mesquinhez, a sovinice, a insignificância e miserabilidade.

* * *

Quantos irmãos consanguíneos já se tornaram inimigos viscerais ao travarem disputa por herança? Isso acontece sempre que as coisas são consideradas mais importantes que as pessoas. A isso se dá o nome de “avareza”.

Perder familiares e amigos por causa de bens materiais, conquanto deplorável, é episódio recorrente em nossa avarenta sociedade…

Celeiro algum, vazio ou cheio, vale uma vida. Mas pouca gente acredita nisso. E por não acreditar continuam trocando pessoas por coisas, desprezando a bondade e a generosidade e amando a avareza, esvaziando, assim, suas vidas dos seus maiores tesouros: família, amigos, Deus…

Assim caminha a humanidade: com celeiros cheios e corações vazios!

Mas, e a vida? Ora, a vida é só um sopro. Um único dia, no qual, de manhã, despertamos para a luz, para em seguida enfrentamos a fadiga sob o sol do meio dia, e não demora nada para que logo divisemos no horizonte as cores melancólicas do crepúsculo. E, ao final, enquanto a noite nos vêm cobrir com seu manto assombrado, ouvimos aquela mesma voz, que há de ser reconhecida de todos, sem exceção: “Hoje mesmo te pedirão a tua alma. E para quem deixarás o que acumulaste nos teus celeiros?”

A parábola do avarento insensato é a parábola de Jesus com maior concentração de pronomes de conotação egoísta e possessiva (pronomes agressivos, diria Barclay): eu, me e meu.

Quando o abastado (ou abestado?) senhor percebeu que o que haveria de colher não caberia nos seus celeiros, nem passou por sua cabeça os verbos dar, repartir, distribuir, compartilhar… mas tão somente guardar, acumular, juntar. Era um homem agressivamente centrado em si mesmo. Havia mais ego em sua vida que vida em seu ego.

Conta-se que John Wesley vivia com um orçamento de 30 libras anuais. Como sua filosofia era “poupar tudo o que podia e dar tudo o que podia”, precisando de somente 28 libras para se manter, dava as outras duas que lhe sobrava. Com o passar do tempo, seu orçamento cresceu para sessenta, noventa e depois cento e vinte libras por ano, continuou, no entanto, a viver com as mesmas 28 e a dar o restante a quem mais precisava.

Quem dera, como Wesley, aprendêssemos de Jesus que desta vida só levamos o que plantamos, não o que colhemos. São as sementes que lançamos ao campo a nossa verdadeira herança, não os grãos que amontoamos nos celeiros.

A melhor maneira de viver não é, portanto, abarrotar celeiros com as colheitas da avareza, mas fecundar a terra com as sementes da generosidade.

Reverendo Luiz Carlos Ramos
Para o Décimo Primeiro Domingo da Peregrinação após Pentecostes, Ano C, 2016

Arquivo 29-06-16 17 35 13

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Um comentário

  1. Edificante meu irmão. Estamos na contra mão da sociedade, a lógica reversa. Aliás, aumentam os que saqueiam as sementes para usufruto em seus quintais.

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