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T e x t o s & T e x t u r a s

O milagre e as falácias do crescimento

Lavrador_Euzebio

“E Jesus dizia mais: O novo mundo de Deus é assim como quando um homem lança a semente na terra; e então adormece e amanhece despreocupado, noite e dia, dia e noite… E a semente brota e cresce sem que ele saiba como, porque a terra frutifica autonomamente: primeiro surge o broto tenro, depois a espiga amiga, e logo o grão túrgido na espiga. E, quando o fruto está maduro, é hora de agir novamente:
bamboleia-se a foice… porque o tempo da colheita é chegado.”

Jesus de Nazaré
(em Marcos 4.26-29)

“Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata.
Quem tenta ajudar um broto a sair da semente o destrói.
Há certas coisas que não podem ser ajudadas.
Tem que acontecer de dentro para fora.”

Rubem Alves

Muitos há que, redondamente enganados, pensam que sua tarefa é fazer a Igreja crescer. Por isso metem-se a fazer o que compete a Deus, só que sem a divina competência.

Consideremos uns poucos, mas suficientes, exemplos: A semente e a colheita, a massa e o pão, a mãe grávida e o bebê em seu ventre, o pai e o filho que cresce.

O agricultor pode adubar a terra, semear, regar, capinar as ervas daninhas e… contemplar. Mas jamais fará a espiga produzir sem que primeiro a semente germine, o broto cresça e dê a espiga.

O mesmo se passa com o padeiro e a mãe de família quando preparam o pão. Podem misturar os ingredientes, adicionar o fermento, acender o forno… Mas só a espera paciente fará o pão crescer até estar pronto para ser assado e, depois, servido.

A mulher grávida pode cuidar da sua saúde, da alimentação e da higiene, mas o bebê se desenvolve dentro dela sem a necessidade que ela tenha tido uma única aula de anatomia, ou saiba como funcionam os sistemas cardiovascular, respiratório, digestório, nervoso, sensorial, endócrino, excretor, urinário, reprodutor, esquelético, imunológico, linfático… A despeito disso, a criança simplesmente se forma dentro dela.

Também o pai, que vê seu filho crescer, pode dar-lhe carinho, instrução, agasalho, pode brincar e orar com ele, mas nenhum pai pode “acrescentar um côvado” ao curso da vida ou à estatura do filho.

Seria insanidade tentar arrancar o broto da semente à força; obrigar o pão a crescer sob ameaça; pressionar a mãe para que reduza o tempo de gestação do filho, como se faz nas linhas de montagem da indústria automobilística; ou torturar um pai para que seu filho seja mais alto e mais forte…

Nossa tarefa, portanto, não é fazer crescer, mas plantar, regar, cuidar e… querendo Deus, colher.

“Eu plantei, Apolo regou,
mas o crescimento veio de Deus”

Paulo, Apóstolo
(em 1 Coríntios 3.6)

Rev. Luiz Carlos Ramos
Para o Terceiro domingo do Tempo da Peregrinação
após Pentecostes

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