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T e x t o s & T e x t u r a s

Os carteiros, os pirilampos e os sem-teto

Luiz Carlos Ramos

Os carteiros!

Quem inventou o cartão de Natal foi um ilustre remetente a quem, comumente chamamos Deus. O primeiro cartão de Natal tinha o seguinte teor: “Paz na terra a toda gente porque Deus lhes quer bem”.

Utilizando-se de um serviço muito especial dos correios — o aéreo —, porque o remetente queria rapidez e qualidade na entrega da mensagem, Deus felicita a humanidade inteira pelo nascimento do Salvador, que é Cristo, o Senhor.

Os carteiros, denominados “anjos”, pelo jornalista Lucas, acabam se envolvendo com o conteúdo de sua mensagem, a ponto de esclarecerem logo de saída que aquela correspondência era uma “Boa Notícia de grande alegria”, e que o seria “para todo o povo”. E, embora, estivessem de serviço, desconsiderando a orientação de que “prazer e devoção não se misturam”, tais carteiros regozijam-se como se eles próprios, além dos pastores, fossem os destinatários da mensagem. E o sindicato todo do correio aéreo cruzou o céu louvando a Deus e dizendo:

“Glória a Deus nas maiores alturas,
e paz na terra a quem Ele quer bem” (Lc 2.14).

Os pirilampos…

Diz o texto bíblico que a glória do Senhor brilhou ao redor dos pastores. Brilhar ao redor, em grego, é perielampsen, de onde vem a nossa palavra “pirilampo”.

Podemos imaginar, então, que a monotonia das noites daqueles pastores foi quebrada, de repente, por uma infinidade de vaga-lumes que piscavam, brilhavam e voavam ao redor deles: era sinal da glória de Deus entre os humanos.

O Natal é isso: o céu invadindo a terra!

Deve ser esta a origem dos pisca-piscas que se usam para ornamentar as árvores de Natal. A luz que brilha no meio da noite anunciando:

“O povo, que andava nas trevas, viu surgir uma grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz” (Is 9.2).

Os sem-teto…

Todo cartão de Natal, além de um remetente, tem um destinatário. O primeiro cartão da história da humanidade foi endereçado aos sem-teto.

O jornalista Lucas (2.8), diz que eles viviam a céu aberto. O verbo grego agrauléo, de onde deriva a nossa palavra “agrário”, significa permanecer ao relento. Dizem os comentaristas que esses pastores eram gente muito pobre. Sem ter onde morar, sujeitavam-se a empregos considerados humildes ou indignos pelos de classes sociais mais privilegiadas. Essa escória dos operários, por estar ao relento e por não possuir um teto nas noites frias, pôde testemunhar, em primeira-mão, a invasão da terra pelo céu.

Em nossos dias, são tão poucos os que olham para o céu! Na ironia do cotidiano, dentro de arranha-céus cada vez mais altos, as pessoas se distanciam mais e mais do Reino-dos-céus.

Esses pastores, ao contrário, cotidianamente, contemplavam as estrelas. Não por opção romântica, ou por interesses astronômicos, mas porque o firmamento era o seu teto, a lua, sua companheira, e as estrelas, suas conselheiras.

Olhar para o céu! Ouvir as estrelas! Aconselhar-se com a lua…

Isto é Natal: levantar a cabeça; reconquistar a dignidade, ser visitado por Deus!

* * *

 

Depois dessa leitura do relato do primeiro Natal, as coisas nunca mais serão as mesmas para mim. Agora, toda vez que eu vir um carteiro, levando apressado alguma importante correspondência, ou abrir o meu e-mail, me lembrarei do anjo de Deus e de sua mensagem: “Nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor!”

Quando vir, embaixo dos viadutos e nas sarjetas, aquela gente pobre e sofrida que vive a céu aberto, me lembrarei de que foram elas os destinatários do primeiro cartão de Natal de toda história da salvação, e unir-me-ei a elas na contemplação das estrelas.

O Evangelho diz que o sinal da chegada da salvação seria uma criança envolta em panos. Assim, toda vez que eu vir uma criança que ainda usa fraldas, me lembrarei que Jesus nasceu. E quando vir aquelas crianças vestidas de trapos nos sinaleiros, me lembrarei que são elas, hoje, este sinal, e de que delas é o Reino, o Novo Céu e a Nova Terra.

Ainda há choro, mas os cartões continuam chegando e dizendo:

— Não faz mal, é Natal!
E, logo, de novo, Ano Novo‼

2 Comentários

  1. Lindo texto, Luís, Obrigada por nos fazer refletir através de suas palavras!Feliz natal para todos os seus queridos!

  2. Obrigada,Luiz Carlos pelo lindo e inspirador texto.Vou compartilhar com minhas amigas e meus amigos.Feliz Natal para vocês,com o meu abraço.

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