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T e x t o s & T e x t u r a s

“Peregrino”, o que vai pelo jardim

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A propósito do Tempo da Peregrinação (“peregrino” = o que vai pelo jardim):

“[…] etimologicamente, peregrino vem de peregrinus, a contracção latina de per (através) e ager (terra, campo), que originou o adjectivo pereger (viageiro, viandante) e o advérbio peregre (no estrangeiro), que por sua vez deu origem a peregrinus (estrangeiro) e peregrinatio (viagem ao estrangeiro). Para evitar maus encontros, os peregrinos iam pelos campos, atalhando caminho *. O mesmo étimo originou no francês peligrim, que evoluiu para o actual pélerin, e no inglês, inicialmente pilegrim e depois pilgrim.
Quem fala de peregrinos não pode deixar de referir os lugares santos, e entre eles Roma. E do nome desta cidade se formou romeiro, um sinónimo de peregrino. Os poetas também usavam romípeta.”

  • Como passavam semanas e meses no caminho, tinham de estar atentos às condições atmosféricas. Há mesmo um provérbio francês que diz: Rouge soir & blanc matin, c’est la journée du pélerin. Que é como quem diz: o céu avermelhado à tarde e esbranquiçado de manhã é presságio de bom tempo. Temos algo semelhante: «Vermelho no poente, no outro dia bom tempo.» Aliás, já que falo neste aspecto, devo dizer que as próprias gabardinas têm algo que ver com os peregrinos. De facto, a palavra «gabardina» vem do francês galvardine, «capa de peregrino», que veio do germânico wallevart, «peregrinação», de walle, «errar, vagabundear, andar sem destino», mais fahren, «jornadear, viajar». É verdade que alguns dicionaristas portugueses não concordam, afirmando que a nossa «gabardina» vem do espanhol gabardina (gabán + tabardina). Tal argumentação não me convence, pois que ficaria por explicar a proximidade do vocábulo francês gabardine, que consabidamente não provém do espanhol. A maioria das palavras começadas por w em alemão começa por g em francês, como acontece com esta, que anteriormente se grafava gaverdine. Em italiano fixou-se com a forma garvardina. Em inglês, temos Shakespeare, por volta de 1590, n’O Mercador de Veneza, a escrever gaberdine, para designar uma espécie de sobretudo ou capa usado por pobres, pedintes e, como estereótipo, pelos judeus. Numa fala de Shylock, lê-se: «You call me misbeliever, cut-throat dog,/And spit upon my Jewish gaberdine,/And all for use of that which is mine own.» Voltarei a este assunto.

(Cf. http://letratura.blogspot.com.br)

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