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T e x t o s & T e x t u r a s

Silêncio como melhor resposta

Colheita de Uvas by Neiva Passuello — pintura em tela (70 cm x 50 cm de 03/2007)

| Mateus 21.23-32 (LCR)

Jesus chegou ao Templo, em Jerusalém, e, sendo aquele um lugar de oração e de adoração, mas também lugar de ensino e aprendizagem, ali começa a lecionar.

Enquanto ensinava, se aproximaram dele alguns chefes dos sacerdotes e alguns líderes, anciãos do povo, perguntando-lhe: Com que autoridade você faz essas coisas: ensinar, curar, perdoar…? Quem lhe conferiu essa autoridade?

Jesus respondeu: Eu também vou fazer uma pergunta a vocês. Se me derem uma boa resposta, eu lhes direi com que autoridade faço essas coisas.

Sendo assim, me respondam: De onde vinha o batismo de João? Do Céu ou da terra?

Eles então começaram a conjecturar entre si: Se dissermos que vem do Céu, ele nos perguntará: “Se é assim, então por que vocês não creram em João?” Mas, se dissermos que tem origem humana, temos que ter cuidado com a reação do povo, pois todos consideram João um profeta.

Depois de muita conjectura, responderam: Não sabemos como responder a essa pergunta.

Então eu também não responderei a vocês com que autoridade faço essas coisas! disse Jesus.

Jesus continuou: E o que vocês me dizem disto?

Certo homem tinha dois filhos. Ele foi falar com o primeiro e lhe disse: Filho, você pode trabalhar na minha plantação de uvas hoje?

Ele respondeu: Claro que vou, papai. Mas depois não foi.

O pai foi até o segundo filho e lhe falou da mesma maneira. Mas este respondeu dizendo: Ah, pai, hoje não estou a fim. Mas depois mudou de ideia e foi.

Qual dos dois filhos fez o que o pai queria? perguntou Jesus.

E eles responderam: O último.

Então Jesus disse a eles: Pois eu lhes garanto uma coisa: os cobradores de impostos e as prostitutas estão entrando antes de vocês no Novo Mundo de Deus.

Pois João Batista veio até vocês trilhando o caminho da lei, que é o caminho da justiça, mas vocês não creram nele. Contudo os cobradores de impostos e as prostitutas creram. Porém, vocês que estão vendo tanta coisa acontecer diante dos seus próprios olhos, não são capazes nem de se arrepende e nem de crer.

Dizem que a primeira regra da saúde mental e emocional é:

“Aprender a distinguir quem merece uma explicação,
quem merece apenas uma resposta e
quem não merece nenhuma coisa nem outra.”

Sabiamente, Jesus, colocava em prática essa regra. Quando hipócritas defensores da moral e bons costumes chegaram, cheios de empáfia, querendo testá-lo, não em busca da verdade, mas para defender de modo ardiloso seus interesses e status mesquinhos, sem perder a elegância, ou faltar com a educação, Jesus deu um jeito de dizer que, se eles se negavam a responder a uma questão tão simples —como se o batismo de João era coisa de Deus ou meramente humana—, ele também se via no direito de negar-se a responder com que autoridade ele fazia o que fazia, isto é: ensinar, curar e perdoar.

Na sequência desse diálogo, Jesus conta uma parábola sobre um pai que tinha dois filhos e os chama para ajudar no trabalho da sua vinha.

Um, logo se prontifica, mas na última hora não comparece. O outro, conquanto tenha demonstrado má vontade, a princípio, na última hora decide atender à solicitação do pai.

A interpretação, dada na própria narrativa, compara o filho que falou que ia, mas não foi, com os legalistas; e o filho que a princípio se recusou, mas que ao final atendeu à solicitação paterna, compara a todos aqueles que eram considerados socialmente marginais e menosprezados. Estes últimos são os que haviam, não somente, crido na pregação do Batista, que viera segundo a Lei, como também haviam tido um encontro com a Graça de Deus, encarnada em Jesus.

No texto grego, diferentemente de algumas versões em português —como a ARA—, o primeiro é de fato o que se recusa, mas depois faz a vontade do pai, e o segundo é o que não faz —como se lê na NTLH. Seria de se esperar que o “primeiro” fossem os observadores da lei, e, o segundo, os infiéis, impenitentes e desviados. No entanto, com a inversão apresentada neste texto, os últimos se tornam primeiros, e os primeiros, últimos.

No Evangelho de Mateus, o tema da primazia da prática da Palavra sobre o discurso é preponderante. Fiel é de fato quem pratica e não quem decora ou discorre sobre a Palavra.

Mas o mais impactante de tudo é o desfecho: Publicanos e prostitutas entram primeiro no reino de Deus, antes mesmo dos empafiados observadores da Lei, aqueles aguerridos defensores da moral e dos bons costumes.

Pois era para esses socialmente excluídos e eclesiasticamente excomungados que Jesus não somente dava respostas, e explicações, como os ensinava e os recebia como discípulas e discípulos, primícias dentre os cidadãos do Novo Mundo de Deus.

Reverendo Luiz Carlos Ramos †
Décimo Sétimo Domingo da Peregrinação após Pentecostes | Ano A 2017 
Por uma igreja de corações abertos, mentes abertas e braços abertos

Saiba mais sobre o quadro “A colheita de uvas” e sobre a artista plástica Neiva Passuello em https://neiva.passuello.com.br/pinturas/colheita-de-uvas/ 

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