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T e x t o s & T e x t u r a s

“Vinde após mim, vos farei pescadores…”

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Ilustração: Pescador by Lucille Holling

Jesus chamou para serem seus discípulos pessoas de diferentes extratos sociais. Os primeiros, segundo a narrativa de Marcos (1.12-20), eram pescadores. Os irmãos Simão e André, que estavam embarcados lançando a rede ao mar, e Tiago e João, também embarcados, que consertavam as redes.

Isso faziam no chamado Mar da Galileia, que não era exatamente um mar, mas um lago de água doce, na fronteira de Israel, Cisjordânia e Jordânia, que na parte mais extensa não tem mais que 19km de extensão e na mais estreita, 13km; está a 231m abaixo do nível do mar, e seu principal afluente é o Rio Jordão. A indústria pesqueira era bastante importante na Galileia. As principais cidades da província ficavam às suas margens, ou bem próximas: Tiberíades, Cafarnaum, e na outra margem, Betsaida e Genesaré, entre outras. Caná, mesmo, não estava muito distante. Nazaré ficava num platô, no alto, subindo a montanha uns 350m acima do nível do mar, a apenas 25km do Mar da Galileia.

Enquanto esses irmãos faziam seu trabalho, cruza por eles um jovem que não é do ramo. Era, antes, um “tekton”, um artesão. Ex-camponeses, os artesãos constituíam uma classe de operários que tiveram que se dedicar a vários tipos de serviço na construção civil, porque em algum momento eles ou seus pais haviam perdido suas terras por causa de dívidas a particulares ou ao Estado. Migravam, então, para a cidade a procura de trabalho, e acabavam se ocupando como pedreiros e carpinteiros ou outras atividades afins. Muito provavelmente essa deve ter sido a história de José, e por conseguinte, de Jesus.

Um dia, esses operários, o carpinteiro e os pescadores, se encontram. O carpinteiro convoca os pescadores, mas todos sabiam que não seria para trabalhar na construção do grande palácio de Herodes que se erguia nas imediações. Ele os chama para pescar: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (1.17). Ele podia não entender muito de pesca, mas sabia tudo sobre “homens”. E quando se encontra alguém que sabe o ofício de amar a humanidade, só há uma coisa a fazer: deixar tudo e seguí-lo, para onde quer que for.

Rev. Luiz Carlos Ramos+
(3.o Dom. após Epifania, 2015)

Um comentário

  1. Beleza Luiz Carlos….sempre no capricho…é dom…

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