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T e x t o s & T e x t u r a s

Você é um perdedor?

Do Sacrifice de Isaac, 1603, by Caravaggio.

Do Sacrifice de Isaac, 1603, by Caravaggio.

Texto e alocução by Luiz Carlos Ramos

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Os sociólogos e outros estudiosos do fenômeno religioso na sociedade costumam fazer uma interessante distinção entre seita e religião.

Seita seria um jeito rústico e primitivo de alguém se relacionar com o transcendente. Por essa prática o crente entende que pode manipular a Deus usando certos estratagemas. Como a concepção que têm de Deus seria espelho de si mesmo, os sectários tendem a crer num deus egoísta, vaidoso e volúvel.

Vez por outra precisam apelar para esse deus ou deuses, especialmente quando as coisas lhes fogem ao controle. Fora do controle humano estão certas situações limites, extremas e trágicas, tais como doenças graves, catástrofes naturais ou, ainda, certas preocupações relativas ao futuro: relações amorosas, profissionais e, particularmente numa sociedade materialista, expectativas e ambições econômicas.

Tomam então medidas pertinentes para mover os interesses divinos a seu favor: dirigem-lhe insistentes súplicas; tratam logo de bajulá-lo, tecendo-lhe altos elogios; não sendo suficiente, oferecem sacrifícios que podem ser desde certas abstenções até a auto-mutilação, do sacrifício de animais até o de humanos; e em último caso, oferecem-lhe dinheiro. A isso dão o nome de Oração, Louvor, Piedade e Consagração.

Seita, é bom também que se diga, tem a ver com secção, divisão, separação. Geralmente o sentimento sectário gera pessoas preconceituosas e intolerantes e até fanáticas, que tendem a desprezar qualquer pessoa que não creia da mesma forma que elas. Assim nascem os fundamentalistas, os inquisidores e os terroristas.

Religião, por sua vez, na verdadeira acepção da palavra, seria uma maneira distinta de relacionamento com Deus. Nesta, Deus não está a serviço do fiel, mas o fiel se apresenta para servir a Deus. Em lugar de dizer: “Deus, dá-me!”, pergunta: “Deus, que devo fazer?”. Aqui, a ideia que se tem de Deus não é uma reprodução direta do ser humano corrompido e corruptor, mas a de que Deus, para ser Deus, só pode ser o Totalmente Outro, absolutamente distinto e imune às baixezas humanas. Não há nada que lhe digamos de que ele já não tenha conhecimento, nenhuma bajulação ou sacrifício que possam agradá-lo, e nada que lhe ofereçamos poderá corrompê-lo.

Assim, o fiel aproxima-se de Deus com humildade e gratidão, com o coração aberto para ouvir sua voz, e oferece-se com alegria para construir com ele o Novo Mundo que Deus quer: neste caso, um mundo de justiça, paz e harmonia para todas as pessoas. A isso também chamam de Oração, Louvor, Piedade e Consagração. Mas que as palavras não nos enganem. Elas podem significar coisas totalmente diferentes nos dois casos.

Certa vez Jesus disse aos que queriam segui-lo: “Quem quiser ganhar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salvá-la-á.” O sentimento sectário , no afã de ganhar, perde a vida para o egoísmo e o materialismo. Os que muitos são considerados vencedores na sociedade interesseira e ambiciosa, não passam de perdedores das únicas coisas pelas quais a vida vale a pena de ser vivida.

Quando entendi essa distinção na minha vida, decidi que nunca mais me deixaria enredar por sentimentos e práticas sectárias. Por isso não ouso mais tentar manipular Deus. E abrindo mão dos valores de um mundo egoísta, corrupto e volúvel, eu tento abraçar o Novo Mundo de Deus. Porque aprendi que Deus não existe pra atender os nossos caprichos, antes, nós é que nele vivemos, nos movemos e existimos, porque dele.

Já que esta é uma conversa entre amigos, espero que você não se aborreça de eu lhe fizer uma pergunta um tanto constrangedora: Seu jeito de se relacionar com Deus é sectário ou religioso? Não precisa responder para mim. Quem mais precisa ouvir sua resposta é você mesmo e o seu Deus.

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Arquivo 29-06-16 17 35 13

Conversa entre amigos
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