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T e x t o s & T e x t u r a s

A transfiguração dos vales

Crianças do Haiti — Pixabay.

«[…] enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou
e suas vestes resplandeceram de brancura.» (Lucas 9.29)

Jesus subiu a montanha para orar e meditar sobre o novo “Êxodo” que ele estava para cumprir em Jerusalém (v. 31). Ao buscar inspiração na Lei (Moisés) e nos Profetas (Elias), seu rosto se tornou radiante e suas vestes, resplandecentes.

Os discípulos, contudo, premidos pelo sono, tinham olhos pesados e rostos sombrios. A custo se mantinham acordados. Talvez por causa do sono, não conseguem ver com clareza.

Pedro, João e Tiago (mencionados nessa ordem não usual), perdem o foco. Vendo seu iluminado Mestre, desejam ficar na montanha, talvez porque lá não seriam confrontados com as mazelas e as dores do vale, que é lugar de sombra e de morte.

Acontece que Lucas não é o Evangelho da montanha e, sim, da planície e dos vales, das baixadas e das várzeas.

Tanto é assim que “baixa” uma nuvem e os envolve —como aquela do deserto e como aquela da ascensão. Com a neblina, privados da visão e cheios de medo, paradoxalmente os discípulos conseguem ouvir a Voz de Deus, que sussurra: «Este é o meu Filho, o meu eleito;  a ele ouvi» (v. 35.).

É preciso que se diga que ouvir, na Bíblia, sempre implica em confiança e obediência (Stephen Farris, LecCommVol3).

O episódio da transfiguração termina de maneira misteriosa, dizendo que, de repente, Jesus achou-se sozinho, e que os discípulos passaram os dias seguintes calados.

Quando desceram da montanha, no fundo do vale, do meio da multidão lhes sai ao encontro um pai desesperado, que se desmancha em súplicas em favor do seu filho único, que sofre de uma grave doença. O pai lamenta o fato de os discípulos não terem conseguido curar o menino.

Infelizmente os discípulos tem feito feia figura: Indolentes, não conseguem perseverar na oração; sem discernimento, não entendem a vontade de Deus; covardes, querem fugir do campo missionário; alienados, preferem se isolar em retiros espirituais; incrédulos e perversos, não conseguem ajudar os que sofrem.

A prática de Jesus, que também deve ser a nossa, contrasta com a dos discípulos: Sem maiores alardes, Jesus se aproxima de quem mais precisa, repreende o emissário do mal, e devolve o filho ao pai, são e salvo.

Rev.  Luiz Carlos Ramos
Para o Domingo da Transfiguração | Ano C, 2019

Ilustração:
Pixabay  – Grátis para uso comercial  Atribuição não requerida

 

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