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T e x t o s & T e x t u r a s

As vacas magras comerão as gordas

Conta-se de certo Faraó que tivera sonhos estranhos que o fizeram perder o sono. Num desses sonhos ele via diante dele sete vacas gordas e formosas. De repente surgiam outras sete vacas, só que essas estavam muito magras e esqueléticas. E, no sonho, as vacas magras acabaram por devorar as gordas.

Conta-se também de um jovem visionário que se chamava José. Por sua fama de ser aquele tipo de gente que consegue ver o que a maioria das pessoas não veem, foi chamado para interpretar o sonho do Faraó.

José convenceu o Faraó de que aquele sonho era o prenuncio de sete anos de fome que haveriam de se seguir após sete anos de fartura. 

José aproveitou a ocasião para propor ao chefe maior do Egito uma ação preventiva: Que durante os anos de fartura os alimentos fossem armazenados em celeiros, e assim eles poderuam se preparar para enfrentar os anos de fome que se avizinhavam.

José, a despeito da sua juventude, esclarece ao Faraó, e a todos os cientistas sociais e políticos de todos os tempos, qual é a verdadeira função social do Estado: garantir o bem-estar e a qualidade de vida da população.

Claro que aí também está embutida uma severa crítica: Qualquer arrecadação do Estado não está aí para explorar ou extorquir o povo, mas para garantir a equidade. Os recursos do Tesouro de uma nação não devem servir para que os governantes vivam nababescamente, em extravagâncias e esbanjamentos.

Os celeiros do Estado —e poderíamos incluir aqui as instituições internacionais e multinacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FM), e todos aqueles que lograram acumular enormes fortunas, isso porque, assim como o Estado, também os banqueiros, as empresas e outras instituições, os latifundiários, etc.— também têm uma função social incontornável. 

As instâncias monetárias e financeiras têm licença para atuar porque entende-se que elas retribuem à sociedade em geral, com importantes compensações, especialmente em momentos como este.

Os anos de fome que virão não serão famélicos se o Estado e as instituições honrarem seu compromisso, cumprirem seu dever e desempenharem com competência o seu papel social.

Se o Estado fizer a sua parte, as vacas magras comerão as gordas, mas no final, estará garantido o bem-estar e a qualidade de vida do povo. E estaremos prontos para os bastos anos de vacas gordas que, certamente, haverão de voltar.

Luiz Carlos Ramos

Quarentena, março de 2020
Em contexto de Corona Vírus

Versión en español

Las vacas flacas comerán a las gordas[1]

Dr. Luiz Carlos Ramos[2]

Se cuenta que el Faraón tuvo sueños extraños que le hicieron perder el sueño. En uno de esos sueños vio siete vacas gordas y hermosas delante de él. De repente surgían otras siete vacas, sólo que estaban muy delgadas y esqueléticas. Y, en el sueño, las vacas delgadas acabaron por devorar a las gordas.

Se cuenta también de un joven visionario que se llamaba José. Debido a su fama de ser aquel tipo de gente que consigue ver lo que la mayoría de las personas no ven, fue llamado a interpretar el sueño del Faraón.

José convenció al Faraón de que aquel sueño era el presagio de siete años de hambre que habrían de seguir después de siete años de abundancia.

José aprovechó la ocasión para proponer al jefe mayor de Egipto una acción preventiva: Que durante los años de abundancia los alimentos fuesen almacenados en graneros, y así pudieran prepararse para enfrentar los años de hambruna que se avecinaban.

José, a pesar de su juventud, explica al Faraón, y a todos los científicos sociales y políticos de todos los tiempos, cuál es la verdadera función social del Estado: garantizar el bienestar y la calidad de vida de la población.

Claro que ahí también está incorporada una severa crítica: Cualquier recaudo del Estado no está ahí para explotar o extorsionar al pueblo, sino para garantizar la equidad. Los recursos del tesoro de una nación no deben servir para que los gobernantes vivan ostentosamente, en extravagancias y desperdicios.

Los graneros del Estado, y pudiéramos incluir aquí las instituciones internacionales y multinacionales, como el Fondo Monetario Internacional (FMI), y todos aquellos que han logrado acumular grandes fortunas. Esto porque, así como el Estado, asimismo los banqueros, las empresas y otras instituciones, los terratenientes, etc., también tienen una función social ineludible.

Las instancias monetarias y financieras tienen licencia para actuar porque se entiende que ellas retribuyen a la sociedad en general, con importantes compensaciones, especialmente en momentos como éste.

Los años de hambruna que se avecinan no serán hambruna si el Estado y las instituciones honraren su compromiso, cumplieren su deber y desempeñaren con competencia su papel social.

Si el estado hace su parte, las vacas flacas se comerán a las gordas, pero al final, estará garantizado el bienestar y la calidad de vida del pueblo. Y estaremos preparados para los muchos años de vacas gordas que, seguramente, habrán de volver.

Cuarentena, marzo de 2020.
En contexto de coronavirus.


[1] Traducción: Dan González-Ortega en: Luiz Carlos Ramos, “As vacas magras comerão as gordas,“ Textos & Texturas, https://www.luizcarlosramos.net/as-vacas-magras-comerao-as-gordas/

[2] Pastor de la Iglesia Metodista de Brasil. Liturgista, poeta e himnólogo especializado en medios de comunicación; profesor de teología en el departamento de Posgrado de la Universidade São Francisco en Campinas, Brasil.

4 Comentários

  1. Como dizia o Professor Milton Schwantes: “Ótimo, Ótimo”.

  2. Parabéns professor pela análise perfeita desse tenebroso cenário que estamos vivendo, onde aqueles que deveriam nos orientar e nos acalmar, preferem olhar somente para seus umbigos.
    Que o Senhor continue a lhe conferir sua graça e sabedoria.

  3. Muito boa esta fala , a bíblia nos dá a receita, aplicada ao povo no passado, mas muito real para os nossos dias.Deus oriente aqueles que acumulam riquezas a colocarem seus bens a serviço do povo , principalmente nesse momento de tanta angústia e desafios .Deus conosco!

  4. Obrigado, Luiz Carlos. Sua lembrança deste evento é extremamente oportuna, especialmente porque o Estado brasileiro parece esquecer seu papel.

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