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T e x t o s & T e x t u r a s

O milagre do pão

Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve (à mesa), siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo (diakonos). E, se alguém me servir (à mesa), o Pai o honrará. (Jo 12.24-26)
 
“Somente onde há sepulturas pode haver ressureições” (Nietzsche.)

Primeiro, devo fazer uma consideração exegética: “Servo” e “servir”, nos originais gregos, indicam o que “serve a mesa” (diakonos) cuja função específica era, obviamente, “servir à mesa” (diakoneo). Daí a minha sugestão de tradução:

“Se alguém me servir à mesa, afirma Jesus, o Pai o honrará”.

Que relação isso tem com o grão de trigo? Ora, o grão de trigo que morre na terra pra produzir fruto é uma das metáforas mais pungentes da relação Morte-Vida, Paixão-Ressurreição, Quaresma-Páscoa.

O processo, que tem início com o grão do trigo e que culmina com o milagre do pão, é repleto de admiráveis surpresas:

Primeiro, o grão é jogado na terra para morrer.
A semente explode, destrói-se a partir de dentro, para dar lugar à planta.
Quando o trigo, já crescido, amadurece, é ceifado… e torna a ser morto.
Levam-no, então, ao moinho para ser esmagado… e morre mais um pouco.
Agora, na forma de farinha, é amassado, sovado… um pouco mais de morte,
pra garantir…
Ao final, pra que não haja frestas de esperança, é levado ao forno para ser assado… é o seu crematório e sepultura…
Aniquilamento definitivo do grão.

Mas é aí que o milagre acontece!
O grão, que morreu trigo, ressuscita pão!
E nós, que estávamos “morrendo de fome”, ao comermos o pão (para matá-lo ainda mais?), sim, nós que morríamos de fome voltamos à vida, e, revigorados, nos enchemos de energia… O pão mata a fome que nos matava…
Revivemos, reanimamo-nos (recuperamos a ânima=alma).
Ressuscitamos, afinal!!!

Que privilégio temos hoje de mais uma vez apreciar o delicioso milagre do pão:
Isto é meu corpo que é dado por vós. Comei dele todos.
Fazei isso em memória de mim!

Luiz Carlos Ramos
(Capela da Serra, 25 de março de 2012)

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